Manifestações contra o alto custo de vida no Irã resultaram em ao menos seis mortes e cerca de 30 prisões, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, 1º, pela imprensa local. Os protestos tiveram início em Teerã e se espalharam por outras regiões do país, em meio à alta da inflação, à desvalorização da moeda e à deterioração das condições econômicas.

De acordo com a agência iraniana Tasnim, 30 pessoas foram presas no distrito de Malard, no oeste da capital, acusadas de perturbar a ordem pública. As detenções ocorreram após uma operação conjunta dos serviços de segurança e inteligência.

Os atos começaram no domingo, quando comerciantes fecharam lojas em protesto contra a hiperinflação e a estagnação econômica. A mobilização se expandiu para universidades e cidades do interior. Dados oficiais apontam que os preços ao consumidor subiram, em média, 52% em dezembro, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Confrontos mais violentos foram registrados em cidades de médio porte. Em Lordegan, no sudoeste do país, dois civis morreram durante enfrentamentos entre manifestantes e forças de segurança, segundo a agência Fars. O local registrou ainda atos de vandalismo, danos materiais e prisões.

Na cidade de Azna, na província de Lorestão, outras três pessoas morreram após um grupo atacar uma delegacia de polícia. Ao menos 17 pessoas ficaram feridas, de acordo com relatos da imprensa estatal. Já em Kuhdasht, também no oeste iraniano, um integrante da milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, morreu após ser atingido por pedras durante confrontos. Treze policiais ficaram feridos na mesma ocorrência.

Apesar da gravidade dos episódios, analistas apontam que a atual onda de protestos ainda é menor do que as manifestações de 2022, desencadeadas pela morte de Mahsa Amini sob custódia policial, que resultaram em centenas de vítimas.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu a gravidade da crise econômica e fez um alerta público. “Se não resolvermos o problema dos meios de subsistência das pessoas, acabaremos no inferno”, afirmou em discurso transmitido pela televisão estatal.

O governo, por sua vez, tenta equilibrar o discurso. Enquanto admite a legitimidade das reivindicações econômicas, o procurador-geral Mohammad Movahedi-Azad advertiu que qualquer tentativa de transformar protestos em violência ou ataques a bens públicos será respondida com “firmeza”.

A crise ocorre em meio à contínua desvalorização do rial, que perdeu mais de um terço de seu valor frente ao dólar no último ano, agravando o impacto da inflação sobre a população iraniana.

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