O Governo de Goiás anunciou na sexta-feira, 27, os projetos vencedores do Prêmio Goiás Aberto para a Inteligência Artificial (GO.IA), iniciativa voltada ao incentivo de soluções tecnológicas com potencial de impacto social. A cerimônia foi realizada no Hub Goiás, em Goiânia.

Ao todo, R$ 1 milhão serão distribuídos entre três projetos, com valores de R$ 500 mil, R$ 300 mil e R$ 200 mil, respectivamente. As iniciativas terão prazo de até 12 meses para execução. Entre as 55 propostas inscritas, três foram escolhidas com base em critérios como grau de inovação, viabilidade técnica e relevância social.

Promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), pela Secretaria-Geral de Governo de Goiás (SGG) e pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás (Secti), o prêmio está vinculado à política estadual de fomento à inteligência artificial, instituída pela Lei Complementar nº 205/2025.

O primeiro lugar ficou com o projeto “GAIA Edu”, coordenado pelo pesquisador Celso Gonçalves Camilo Junior. Em segundo lugar, foi selecionado o “Codex.AI”, liderado por Ricardo da Silva Santos. Já a terceira colocação foi atribuída à “Plataforma Aberta de IA para Veracidade da Informação”, coordenada por Eliomar Araújo de Lima.

Outras 35 propostas foram incluídas em cadastro reserva, o que indica demanda superior à capacidade de financiamento do edital. O edital prioriza o conceito de “inteligência artificial aberta”, com exigência de soluções que permitam auditoria, colaboração e acesso ampliado.

A proposta também prevê conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), especialmente no tratamento de informações sensíveis. A adoção de modelos abertos segue tendência internacional, mas especialistas apontam que esse formato exige governança robusta e manutenção contínua, aspectos que nem sempre são plenamente considerados em editais públicos.

Política pública e desafios

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla do governo estadual para estimular inovação tecnológica. Segundo dados do edital, os projetos devem atuar em áreas como educação, gestão pública e combate à desinformação.

Apesar do incentivo financeiro, a execução das propostas e a mensuração de resultados concretos ainda são pontos críticos. Programas semelhantes, em outros estados, enfrentam dificuldades para transformar protótipos em soluções efetivas de uso público.

Além disso, o volume de recursos, embora relevante para pesquisa aplicada, pode ser limitado diante da complexidade de projetos em inteligência artificial, especialmente aqueles que envolvem infraestrutura tecnológica e integração com serviços públicos.

O número de inscrições (55 propostas) indica interesse crescente pela área de inteligência artificial no estado. No entanto, a seleção de apenas três projetos levanta questionamentos sobre a capacidade de absorção de iniciativas inovadoras e a continuidade de políticas públicas de longo prazo.

A expectativa do governo é que os projetos premiados avancem para fases de validação e aplicação prática. Ainda assim, o impacto real dependerá da implementação, acompanhamento técnico e eventual incorporação das soluções pelo setor público ou privado.