Prefeitura de Goiânia economiza R$ 35,5 milhões com novo modelo de perícia médica e reduz afastamentos
13 fevereiro 2026 às 12h10

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A Prefeitura de Goiânia apresentou o balanço das perícias médicas realizadas entre abril e dezembro de 2025, apontando uma economia estimada de R$ 35,5 milhões aos cofres públicos e uma redução significativa nos afastamentos considerados indevidos ou superdimensionados.
O resultado é fruto da parceria com o SESI, que passou a atuar como suporte à Junta Médica Oficial do município. Segundo o prefeito Mabel, a iniciativa trouxe eficiência administrativa, melhoria no atendimento à população e maior cuidado com os servidores que realmente necessitam de tratamento.
Economia e impacto direto no atendimento
De acordo com o balanço, 42% dos dias de afastamento solicitados não foram concedidos integralmente — seja por redução do período ou por indeferimento. Isso representa 169 mil dias que deixaram de ser pagos sem necessidade comprovada.
“Isso significa R$ 35 milhões economizados em oito meses. São recursos que deixaram de ser pagos para pessoas que poderiam estar trabalhando”, afirmou o prefeito.
Segundo ele, o impacto vai além da economia financeira.
“Quando falta um professor na escola ou um profissional no posto de saúde, a comunidade é prejudicada. A população não quer saber se o servidor está de atestado; ela quer ser atendida.”
No início da gestão, a prefeitura identificou cerca de 10 mil servidores afastados, em um universo estimado entre 35 mil e 40 mil funcionários. Após a implantação do novo modelo, parte significativa retornou às atividades.
“Eu disse uma vez que ressuscitamos 1.600 pessoas em uma semana, porque estavam de atestado e voltaram ao trabalho quando o controle passou a ser mais rigoroso”, relatou.
Combate a fraudes e excesso de atestados
A gestão também identificou irregularidades graves, incluindo servidores afastados por longos períodos e até casos de profissionais que estariam trabalhando em outros locais enquanto recebiam pela Prefeitura.
Quando detectadas inconsistências, foram abertos Processos Administrativos Disciplinares (PADs), resultando em demissões.
Outro problema enfrentado era a demora na análise dos atestados. Antes, havia casos de servidores que renovavam licenças por meses ou até anos sem avaliação adequada.
“Hoje o servidor precisa comparecer em até 48 horas para avaliação presencial. Se faltar, começa a contar falta. Isso mudou completamente a cultura”, explicou o prefeito.
Cuidado com quem realmente precisa
Apesar do rigor, o prefeito destacou que o objetivo não é penalizar o servidor doente, mas garantir acompanhamento adequado.
Nos casos de saúde mental ou afastamentos prolongados, por exemplo, não são concedidos períodos extensos automaticamente.
“Não aceitamos um atestado direto de 180 dias. Concedemos 60 dias e reavaliamos. Precisamos saber se o tratamento está funcionando ou se é necessário ajustar a medicação.”
Além disso, 781 servidores foram encaminhados para readaptação funcional ou aposentadoria por incapacidade, demonstrando que o sistema também atua na proteção de quem não tem mais condições de exercer determinadas funções.
Queda no volume de atendimentos
O diretor do SESI Goiânia, Paulo Padovani, explica que a redução já era esperada com a implantação do controle.
“No início tínhamos cerca de 3.500 atendimentos por mês. Hoje estamos entre 1.500 e 1.800. Isso demonstra efetividade e uma reeducação do servidor quanto ao uso adequado do atestado.”
Ele ressalta que a exigência de avaliação presencial para afastamentos superiores a três dias segue determinação do Conselho Federal de Medicina.
A equipe do SESI conta atualmente com 39 profissionais dedicados à análise dos atestados, com prazo máximo de 48 horas para atendimento e emissão de laudo em até 24 horas após a perícia.
“Antes, o servidor podia esperar até seis meses por uma avaliação. Hoje ele resolve sua situação em dois dias”, afirmou.
Continuidade do contrato
O prefeito confirmou que a parceria com o SESI será mantida.
“Investimos R$ 5 milhões e economizamos R$ 35 milhões. É um número que fala por si.”
Segundo ele, o modelo já chamou a atenção do Governo do Estado, que também adotou a metodologia. Experiência semelhante havia sido aplicada anteriormente em Itumbiara, com redução superior a 80% no volume de atestados.
Alta satisfação dos servidores
Apesar da resistência inicial, os índices atuais de satisfação superam 95%, segundo levantamento apresentado pela Prefeitura.
Houve críticas no início da implantação, inclusive questionamentos jurídicos sobre a participação de uma entidade privada. Contudo, Padovani esclarece que o SESI atua como suporte, e a autoridade final para aposentadorias e readaptações continua sendo da Junta Médica Oficial do município.
“Com o tempo ficou claro que nosso papel é dar celeridade e apoio técnico. Isso trouxe mais conforto ao servidor.”
Regulação e responsabilidade
Para a gestão municipal, o novo modelo representa uma política de responsabilidade administrativa.
“Quem está contratado precisa cumprir suas horas. É uma regulação necessária. É bom para o servidor que precisa de tratamento e é bom para a população que depende do serviço público”, concluiu o prefeito.
Leia também: STJ suspende liminar do TJ e retoma perícia do Sesi em servidores de Goiânia

