Vereadora eleita e reeleita em Goiânia, Aava Santiago assinou, na noite dessa terça-feira, sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro, o PSB, em evento no K Hotel, em Goiânia. O ato contou com a presença de lideranças nacionais como o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o ministro Márcio França, a deputada federal Tabata Amaral e o prefeito e presidente nacional da legenda, João Campos.

A cúpula alinhou o discurso quanto aos rumos do partido em Goiás e cravou: apesar de a prioridade do PSB ser a eleição de nomes para o Congresso Nacional, Aava terá autonomia para ditar quem a sigla vai apoiar na corrida ao Palácio das Esmeraldas, em Goiás.

Questionado pelo Jornal Opção sobre o caminho que o PSB deve trilhar na disputa estadual, o deputado federal e membro da Executiva nacional do partido, Pedro Campos, irmão de João Campos, disse que “essa condução do palanque local vai ser feita pela presidente estadual do partido, Aava”. “Não tenho dúvida que ela tem dimensão para conduzir esse processo, e que ela tem total apoio da direção nacional pra fazer isso”.

O PSB é aliado de primeira ordem do presidente Lula da Silva e do PT, que deve ter candidato próprio ao governo de Goiás. No entanto, Aava Santiago, que agora conduz a legenda no estado, é aliada declarada do ex-governador e pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas, Marconi Perillo, de quem também é amiga.

Da esquerda para a direita: Pedro Campos, Aava Santiago, Geraldo Alckmin e Márcio França | Foto: Samuel Oliveira

Vale destacar, ainda, que quadros de destaque do partido, como o deputado estadual Karlos Cabral e o agora ex-presidente do PSB, Eliaz Vaz, tido como um “cacique” da legenda, tendem a apoiar o projeto de Daniel Vilela para o governo do Estado.

A independência de Aava para construir o caminho do PSB em Goiás, ganhou reforço do próprio Alckmin, que, inclusive, teria atuado na articulação da filiação da agora ex-tucana.

“A orientação do partido é, em nível nacional, nós estarmos com o presidente Lula. No campo democrático, é importante a gente destacar que se não fosse a eleição do presidente Lula, a democracia estaria em risco […]. De outro lado, o Brasil é uma federação. Os Estados têm autonomia para poder discutir as questões da política regional”, disse o vice-presidente do Brasil, que se referiu a Marconi Perillo com um “enorme apreço”.

Prioridades

Durante sua fala, Aava Santiago, que é pré-candidata a deputada federal, revelou que a prioridade do PSB, hoje, é eleger o máximo de deputados para a Câmara Federal e, no caso de Goiás, para a Assembleia Legislativa de Goiás, a Alego.

“Precisamos, em defesa da democracia e do povo brasileiro, eleger uma bancada grande, forte e comprometida com as teses do partido e mais do que isso, que esse comprometimento não esteja disponível e vulnerável a qualquer tipo de chantagem ou negociata que se apresente no balcão miúdo da política. A gente precisa requalificar o Congresso Nacional, e o PSB vai ser central pra esse processo”, disse.

Aava Santiago e Geraldo Alckmin | Foto: Leoiran

Ainda segundo a nova presidente do PSB estadual, a discussão de palanques majoritários – ou seja, do governo de Goiás, ainda “não está no radar”. “Eu sou uma cumpridora de missão. E a missão que me foi dada, até o momento, é do calendário de formação de chapas e entregar uma chapa não só competitiva, como também vitoriosa para o Congresso Nacional e para a Alego”, afirmou.

“Fagulhas”?

Em janeiro deste ano, lideranças petistas ouvidas pela coluna Bastidores revelaram ter sentido o que chamaram de “fagulha” entre a deputada federal e presidente estadual do partido, Adriana Accorsi, e a mais nova presidente do PSB em Goiás, Aava Santiago.

O estranhamento entre as duas maiores lideranças da esquerda em Goiás, conforme revelado pela coluna na ocasião, teria sido sentido após as últimas declarações à imprensa das parlamentares quanto aos possíveis rumos que cada legenda, PT e PSB, devem tomar nas eleições deste ano.

Em entrevista à imprensa local, Adriana disse que o candidato ao governo de Goiás da base do PT precisa ser filiado ao partido e afirmou esperar apoio do PSB estadual ao projeto eleitoral do PT. Segundo ela, o PSB precisa estar no palanque no presidente Lula, que deve se candidatar à reeleição.

Pelo mesmo porta-voz, Aava assegurou que o PSB estará com o presidente da República no estado, mas destacou que a legenda tem independência para ditar os rumos quanto à disputa ao Palácio das Esmeraldas. “Eu, como presidente do PSB, não vou dizer o que o PT tem que fazer”.

Quadros importantes do PT como os vereadores Edward Madureira e Kátia Maria, e o pré-candidato ao governo, Valério Luiz, marcaram presença no evento de hoje. Já Adriana Accorsi, não compareceu.

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