Polícia lança cartilha para alertar sobre golpe do falso intermediário; veja orientações
30 novembro 2025 às 12h54

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A Polícia Civil de Goiás (PCGO) divulgou neste domingo, 30, um manual completo de orientações para prevenir o golpe do falso intermediário, prática criminosa que tem se tornado cada vez mais comum em transações de compra e venda realizadas pela internet.
O documento, batizado de “Cartilha do Golpe”, detalha o modo de operação dos estelionatários, traz exemplos de como compradores e vendedores são manipulados simultaneamente e apresenta medidas para evitar prejuízos financeiros.
Segundo a PCGO, o golpe do falso intermediário começa quando o criminoso encontra o telefone de um vendedor em sites de compra e venda. A partir daí, ele copia o anúncio original e cria outro idêntico, porém com valor muito abaixo do mercado, isca que atrai rapidamente possíveis compradores.
Ao mesmo tempo, ele inicia duas conversas paralelas: uma com o verdadeiro vendedor e outra com o interessado enganado.
De acordo com a cartilha, o golpista se apresenta ao vendedor como se fosse um comprador real. Ele diz que quer usar o bem anunciado para “pagar uma dívida” e, para convencer o vendedor a colaborar, afirma que essa operação só dará certo se houver sigilo.
A PCGO explica que o criminoso sustenta uma narrativa semelhante com o comprador, prometendo um suposto desconto e pedindo que ele também não comente com ninguém.
Assim, o golpista controla toda a comunicação. Ao comprador, ele fornece contas bancárias de terceiros para receber o pagamento; ao vendedor, inventa desculpas para justificar a ausência de conversas diretas com o suposto interessado. Ambos acreditam estar negociando honestamente, quando na verdade são vítimas de um esquema de manipulação simultânea.
Em um ambiente manipulado, ele fornece contas bancárias de terceiros para receber o pagamento, já que esse artifício dificulta a recuperação do dinheiro. Quando a transferência é concluída, o golpista costuma marcar um encontro em cartório, sob o pretexto de “assinar recibo” ou formalizar a negociação.
É justamente nesse momento que as vítimas, finalmente reunidas, percebem que foram enganadas e que a comunicação legítima jamais existiu entre elas.
O alerta da PCGO reforça que o processo fraudulento se sustenta em três pilares: a comunicação interceptada, a falsa sensação de segurança e o desvio do pagamento.
Como se proteger?
Para evitar esse tipo de golpe, a polícia orienta que a comunicação entre compradores e vendedores seja sempre direta e transparente. A recomendação é verificar pessoalmente o bem negociado, preferencialmente em locais públicos e movimentados, e confirmar se a pessoa que está vendendo realmente é a proprietária do item.
Além disso, a PCGO reforça a importância de checar se os dados bancários informados pertencem ao vendedor ou a alguém próximo, já que contas de terceiros são um dos principais sinais de alerta. Outro ponto destacado é que valores muito abaixo do mercado quase sempre representam tentativa de fraude, especialmente em plataformas populares.
A cartilha também destaca a importância de utilizar, sempre que possível, os mecanismos oficiais das plataformas de venda. Negociações feitas dentro dos aplicativos oferecem maior segurança porque mantêm registro das conversas e disponibilizam sistemas próprios de pagamento, que protegem tanto compradores quanto vendedores.
Entre as chamadas “regras de ouro” apresentadas no material, a polícia recomenda manter toda a negociação dentro da plataforma oficial, verificar a reputação do vendedor, confirmar atentamente todos os dados de pagamento e priorizar métodos seguros, como cartões de crédito, de preferência em versões virtuais.
Quando a vítima percebe que caiu em um golpe, a ação rápida se torna fundamental. A PCGO orienta que a primeira medida seja contatar imediatamente o banco, na tentativa de bloquear a transação. Em seguida, é essencial registrar um Boletim de Ocorrência, que pode ser feito on-line na Delegacia Virtual, e reunir todos os documentos relacionados ao caso, incluindo prints das conversas, comprovantes, dados do golpista e cópias do anúncio fraudulento.
A polícia também aconselha denunciar o perfil utilizado pelo criminoso nas plataformas ou redes sociais, contribuindo para que novos usuários não sejam enganados.
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