A Polícia Científica de Goiás se manifestou após a morte da empresária Isabel Cristina Oyama Jacinto Gonzaga, de 59 anos, ocorrida no último domingo, 8, em meio à investigação sobre possíveis complicações decorrentes de procedimento estético realizado em Goiânia.

Em nota, o órgão informou que o corpo foi examinado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia às 15h50 e liberado no mesmo dia, às 19h. O prazo médio para a divulgação desse tipo de laudo é de 15 dias, segundo o Superintendente da Polícia Científica de Goiás, Ricardo Matos.

Segundo a instituição, a apuração da causa da morte segue o fluxo técnico padrão das perícias médico-legais. O primeiro passo é o laudo de exame cadavérico, feito a olho nu pelo médico legista. Em seguida, podem ser solicitados laudos complementares, caso necessário.

No caso de Isabel, foram requisitados exame de tomografia computadorizada, para avaliação radiológica, e exame anatomopatológico, destinado à análise microscópica de vísceras e fragmentos de pele. De acordo com a Polícia Científica, essa última etapa é a que pode identificar eventual injeção de substância exógena.

A nota diz que as perícias demandam tempo para processamento, análise e estudo do material, e que há prazos legais para a conclusão dos trabalhos. O órgão também afirmou estar “100% comprometido” com a liberação dos resultados, a fim de oferecer suporte técnico-científico à investigação em andamento.

Isabel Oyama morreu após apresentar complicações de saúde semanas depois de se submeter, em 10 de fevereiro, a um procedimento estético em uma clínica no Setor Marista, em Goiânia. Segundo informações já apuradas, a intervenção tinha como objetivo a remodelação dos glúteos com uso de polimetilmetacrilato (PMMA)

De acordo com relatório policial, a paciente passou a apresentar sinais de hemorragia interna durante o processo de drenagem pós-operatória. Ainda conforme o documento, a clínica não teria solicitado exames clínicos nem prescrito medicação naquele momento, sob a justificativa de que os sintomas não estariam ligados ao procedimento estético.

Nos dias seguintes, Isabel teve piora progressiva, com vômitos, dores abdominais e arritmia cardíaca. Ela foi atendida inicialmente em uma unidade de saúde em Anápolis, no dia 6, retornou no dia 7 e acabou transferida para o Centro Hospitalar Ânima, onde morreu no dia 8.

Clínica nega relação direta com PMMA

Em nota ao Jornal Opção, o Instituto de Longevidade afirmou que a paciente foi submetida a dois procedimentos distintos: uma correção glútea com PMMA, sem intercorrências, e uma subcisão para correção estética de celulite, após a qual teria surgido processo infeccioso e hemorrágico.

Segundo a clínica, “não houve nexo causal” entre as complicações e o PMMA, e os eventos estariam associados ao segundo procedimento. A unidade também afirmou que a paciente recebeu antibióticos e o medicamento Transamin, mas que condições pré-existentes, como diabetes, hipertensão e reposição hormonal, teriam contribuído para a evolução do quadro, com formação de coágulos, embolia e infarto.

O instituto informou ainda que a conduta da médica responsável, Dra. Eline Corrêa, está sendo analisada internamente.

Isabel era mãe do vereador Júnior Gonzaga, de Leopoldo de Bulhões. Após a confirmação da morte, a prefeitura do município decretou três dias de luto oficial. Em nota, a administração afirmou prestar homenagens à empresária e se solidarizou com familiares e amigos.

Leia a nota do Instituto de Longevidade na íntegra:

O Instituto da Longevidade lamenta profundamente o falecimento da paciente Isabel Cristina Oyama Jacinto Gonzaga e manifesta solidariedade a seus familiares e amigos neste momento de tristeza. Conforme os registros clínicos e prontuário assistencial, a paciente foi submetida a dois procedimentos distintos:

Correção glútea com PMMA, sem ocorrência de intercorrências clínicas ou complicações associadas.
Subcisão para correção estética de celulite, após o qual houve intercorrência caracterizada por processo infeccioso e hemorrágico. De acordo com a análise técnica e os registros clínicos, não houve nexo causal entre as intercorrências relatadas e o procedimento realizado com PMMA, tratando-se de eventos associados ao segundo procedimento (subcisão).

A paciente recebeu assistência médica adequada, sendo prescritos antibióticos e o medicamento Transamin, conforme a conduta adotada pela Dra. Eline Corrêa. Entretanto, em razão das condições pré-existentes de saúde da paciente, incluindo diabetes mellitus, hipertensão arterial e terapia de reposição hormonal, o medicamento não apresentou o efeito esperado, resultando na formação de coágulos, embolia e, consequentemente, infarto.

Ressalta-se que a conduta da médica em questão, Dra. Eline Corrêa, está sendo analisada internamente pela clínica. O Instituto de Longevidade reforça seu compromisso com a segurança, ética e transparência em todos os atendimentos, seguindo rigorosamente os protocolos técnicos e as boas práticas médicas em seus procedimentos e se coloca a disposição para esclarecimentos posteriores.

Leia a íntegra da nota da Polícia Cientifica:

NOTA DE ESCLARECIMENTO
CASO ISABEL OYAMA

A Polícia Científica do Estado de Goiás – PCI-GO, por meio de seu Instituto Médico Legal de Goiânia, informa que o corpo de Isabel Oyama foi examinado na data de 08/03 às 15h50 e liberado na mesma data às 19h.

A sequência correta de análises médico legais é sempre a seguinte:

  1. laudo de exame cadavérico, onde a avaliação do corpo é feita a olho nu por médico legista, que já inicia os seus trabalhos para determinação de causa da morte;
  2. laudos complementares, se for o caso, onde serão feitos mais exames que subsidiem o legista a determinar a referida causa morte. Para o caso de Isabel foi solicitado exame de tomografia computadorizada para avaliação radiológica e exame anatomopatológico, para avaliação microscópica de vísceras e fragmentos de pele. Essa última averiguação é a que permite identificar uma possível injeção de substância exógena.

A PCIGO reforça que as perícias médico legais demandam de tempo de processamento do material, analise e estudo e que temos prazos legais para término dos trabalhos.

A Polícia Científica de Goiás manifesta o seu pesar pela morte da vítima; ao mesmo tempo que está 100% comprometida com a liberação dos resultados, garantindo o mais efetivo suporte técnico-científico à Investigação em andamento.

Atenciosamente,

Coordenadoria de Comunicação Social da Polícia Científica de Goiás

Leia também

Mãe de vereador morre após complicações de procedimento estético com PMMA em Goiânia

Morte de mulher em Anápolis pode estar ligada à mesma substância que causou complicações em Andressa Urach