A pianista e pesquisadora Andréa Luísa Teixeira, da Escola de Música da Universidade Federal de Goiás (UFG), foi premiada com a Medalha de Prata no Global Music Awards, nos Estados Unidos, pelo álbum Jornal de Modinhas: Inéditos, destaque na categoria música de câmara.

A distinção reconhece tanto a qualidade artística da gravação quanto seu valor histórico. O trabalho reúne 17 canções publicadas em Portugal no fim do século XVIII e preservadas na Biblioteca Nacional de Portugal, sendo o primeiro registro comercial desse repertório.

Em entrevista ao Jornal Opção, Andréa destacou o significado da premiação para sua trajetória. “Essa medalha significa muito porque o meu trabalho na Universidade Federal de Goiás é como pianista co-repetidora. Eu faço música de câmara o tempo todo”, afirmou. Segundo ela, o reconhecimento internacional reforça décadas de atuação dedicadas ao gênero.

A artista também reafirmou o papel central do pesquisador Alberto Pacheco na concepção do projeto. “Ele foi todo elaborado, coordenado e a pesquisa dele foi feita pelo doutor Alberto Pacheco”, disse. O pesquisador luso-brasileiro liderou a investigação que resultou na recuperação das obras, a partir de acervos no Brasil e em Portugal.

Grupo responsável pelo álbum | Foto: Arquivo Pessoal

O álbum é fruto de um trabalho coletivo que reúne músicos brasileiros e portugueses, conectando pesquisa acadêmica e performance musical. Andréa participou da gravação tocando flauta e percussão — no projeto anterior com Pacheco, atuou ao piano.

A parceria entre os dois artistas remonta à criação da Academia dos Renascidos, grupo fundado há cerca de 15 anos com o objetivo de resgatar repertórios esquecidos. “A ideia era de fazer pesquisa nas bibliotecas, pesquisar o que ainda não tinha sido tocado”, explicou.

Segundo a pianista, o processo de gravação exigiu uma década de preparação, incluindo estudos sobre a forma original de execução das modinhas. “Essas músicas nunca tinham sido gravadas, então a gente teve que fazer uma pesquisa de performance”, relatou.

Gravado em Portugal e lançado inicialmente em 2019, o trabalho ganhou nova projeção internacional com a premiação. “Tem todas as plataformas digitais para a música”, disse Andréa, ao comentar a disponibilidade do álbum ao público.

Para a pesquisadora, o reconhecimento representa não apenas uma conquista individual, mas a valorização de um patrimônio musical compartilhado entre Brasil e Portugal.

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