Uma pesquisa sobre a vida das mulheres nas cidades brasileiras aponta que 76% das moradoras de Goiânia afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio em pelo menos um dos ambientes avaliados. O índice está acima da média nacional, que é de 74%.

O levantamento faz parte da pesquisa “Viver nas Cidades – Mulheres”, realizada com 3.500 internautas de dez capitais brasileiras, incluindo Goiânia. O estudo ouviu moradores com 16 anos ou mais entre 2 e 27 de dezembro de 2024.

Entre as cidades pesquisadas, Goiânia aparece entre as capitais com maior proporção de mulheres que relatam ter sofrido assédio, atrás apenas de Porto Alegre (79%), Recife (77%) e Rio de Janeiro (77%).

De acordo com o levantamento, os locais onde as mulheres mais relatam episódios de assédio são ruas e espaços públicos, como praças e parques. Os principais ambientes citados foram:

  • Ruas e espaços públicos: 56%
  • Transporte público: 51%
  • Ambiente de trabalho: 38%
  • Bares e casas noturnas: 33%
  • Ambiente familiar: 28%
  • Transporte particular por aplicativo ou táxi: 17%

Segundo a pesquisa, mais da metade das mulheres afirma já ter sido assediada em locais públicos, o que indica maior vulnerabilidade nesses espaços urbanos. O estudo também investigou a percepção sobre a divisão das tarefas domésticas.

No total da amostra, 40% dos entrevistados afirmam que as atividades são divididas igualmente entre homens e mulheres, enquanto 36% dizem que, embora a responsabilidade seja compartilhada, as mulheres fazem a maior parte do trabalho doméstico.

A percepção, porém, varia de acordo com o gênero. Mais da metade dos homens (51%) considera que há divisão igualitária, enquanto apenas 29% das mulheres têm a mesma opinião.

População defende punições mais duras contra agressores

Ao serem questionados sobre quais medidas deveriam ser prioridade para combater a violência doméstica, os entrevistados apontaram como principal ação o aumento das penas para quem comete violência contra mulheres, mencionado por 54% dos participantes.

Outras medidas destacadas incluem: Ampliação dos serviços de proteção às mulheres (49%), agilidade nas investigações das denúncias (40%) e criação de novas leis de proteção (28%).

A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas online com internautas residentes em dez capitais brasileiras: Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia.

No total, foram 3.500 entrevistas, com 300 participantes em Goiânia, margem de erro estimada de 6 pontos percentuais para a capital goiana e 2 pontos percentuais no total da amostra, com nível de confiança de 95%.

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