Pela primeira vez, mulheres são maioria entre médicos no Brasil com 50,9%
20 março 2026 às 12h46

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Pela primeira vez na história, as mulheres são maioria entre os médicos no Brasil, representando 50,9% dos profissionais em atividade. O dado faz parte do estudo Demografia Médica no Brasil 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde e elaborado pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
No recorte regional, Goiás possui cerca de 22.019 médicos, com uma razão de aproximadamente 3,00 profissionais por mil habitantes. No entanto, quando se observa apenas o interior, esse número cai para 1,49, evidenciando a concentração de profissionais nas grandes cidades.
No Centro-Oeste como um todo, a média é de 1,58 médico por mil habitantes, colocando a região na terceira posição do ranking nacional.
Em entrevista ao Jornal Opção, a médica gastroenterologista Cacilda Pedrosa de Oliveira destacou que essa mudança no perfil da profissão já vem sendo construída há décadas. Segundo ela, “há 30, 40 anos atrás, cerca de 20% e 30% dos ingressos em faculdades de medicina eram mulheres, e isso passa agora a ser em torno de 50% em alguns locais, até um pouco mais de 60%.” De acordo com a especialista, esse avanço tende a impactar diretamente o exercício da medicina, inclusive na forma de atendimento.

Nesse sentido, ela observa que há diferenças de abordagem entre homens e mulheres. “A mulher tende a ser mais receptiva, abordar o paciente com mais conversa, com mais cuidado, e o homem, pela própria característica do homem, é mais direto, é mais pragmático, talvez”, afirmou.
Ainda assim, Cacilda pondera que o crescimento da presença feminina também traz novos desafios para determinadas especialidades, especialmente aquelas que exigem plantões frequentes, como pediatria e obstetrícia.
A médica alerta que questões sociais ainda influenciam a dinâmica de trabalho. “Muitas mulheres também esposas, são também mães, né? E aí você vai ter problemas”, disse, ao comentar a dificuldade de cobrir plantões de fim de semana em áreas predominantemente femininas.
Atualmente, o Brasil conta com 635.706 médicos, o que representa uma média de 2,98 profissionais por mil habitantes. Esse número praticamente dobrou em pouco mais de uma década, em 2010, eram cerca de 304 mil médicos no país.
Além disso, o estudo mostra que as capitais concentram a maior parte dos profissionais. As cidades do Sul lideram, com 10,26 médicos por mil habitantes, seguidas pelo Sudeste (7,33) e Nordeste (6,95). Em contrapartida, enquanto o Sudeste registra 2,64 médicos por mil habitantes fora das capitais, o Norte tem apenas 0,75, com casos extremos como Roraima (0,13) e Amazonas (0,20).
Em relação as projeções futuras da profissão, a participação feminina deve continuar crescendo e pode chegar a 55,7% até 2035. Esse avanço está relacionado à predominância de mulheres nos cursos de medicina, que já aparece alta nos censos educacionais.
O estudo mostra ainda que a expectativa é de que o número de médicos continue aumentando nos próximos anos, podendo atingir mais de 1,15 milhão de profissionais até 2035, um equivalente a 5,25 médicos por mil habitantes.
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