Ouvidoria da Câmara de Goiânia atinge 100 mil pessoas e planeja atuação nos bairros em 2026
08 janeiro 2026 às 15h56

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A Ouvidoria Especial de Combate a Crimes Raciais e de Intolerância da Câmara Municipal de Goiânia encerrou 2025 com 48 atendimentos diretos a vítimas de racismo, intolerância religiosa, LGBTfobia e xenofobia. Em seu primeiro ano efetivo de funcionamento, o órgão também estima ter alcançado cerca de 100 mil pessoas por meio de ações educativas, eventos públicos e participação em mobilizações sociais.
À frente da coordenação, Nádia Garcia avalia que o período foi marcado pela estruturação do serviço e pela consolidação da ouvidoria como porta de entrada para denúncias e pedidos de orientação. “Foi o primeiro ano em que a ouvidoria conseguiu se apresentar à cidade e entender, na prática, o seu papel dentro da Câmara e para a população goianiense”, afirma.
Além dos atendimentos individuais, que envolvem acolhimento, escuta qualificada e encaminhamento aos órgãos competentes, a ouvidoria participou de mais de 20 eventos ao longo do ano. Entre eles, as Paradas do Orgulho LGBTQPN+ de Goiânia e Anápolis, agendas com migrantes e imigrantes e ações voltadas ao enfrentamento da xenofobia.
Um dos destaques de 2025 foi a realização do Novembro Vivo na Câmara Municipal, com programação dedicada à consciência negra. O evento incluiu um xerê, rito religioso de matriz africana realizado nas dependências do Legislativo. Para a coordenação, a atividade teve caráter simbólico e pedagógico ao reafirmar o respeito à diversidade religiosa dentro de um espaço institucional.
A equipe também participou, em Brasília, da Marcha das Mulheres Negras, considerada a maior mobilização de mulheres negras já realizada no país, levando mulheres brasileiras e migrantes residentes em Goiânia.
Desafios internos e atuação institucional
Apesar de integrar a estrutura da Câmara, a ouvidoria também precisou atuar em episódios de intolerância registrados no próprio Legislativo municipal ao longo de 2025. Segundo Nádia, situações de intolerância religiosa evidenciaram a necessidade de o órgão atuar também internamente.
“Esses episódios mostram que a ouvidoria não é apenas um serviço para fora da Câmara, mas também um instrumento de transformação institucional”, afirma. Como resposta, foram realizadas ações de formação e conscientização antirracista direcionadas a parlamentares e servidores.
Atendimento e encaminhamento
A coordenação reforça que a ouvidoria não tem atribuição judicial. O órgão não abre processos nem faz representação jurídica, atuando como espaço de escuta, acolhimento e encaminhamento. Entre as ações estão a orientação para registro de ocorrências, o direcionamento de casos à Defensoria Pública, ao Ministério Público e a Delegacia de Crimes Sociais e Intolerância (DEACRI), além da articulação de apoio psicológico e social.
No atendimento a imigrantes, a ouvidoria também auxilia na regularização de documentação e na articulação de oportunidades de trabalho, em parceria com instituições e mandatos parlamentares.
Como entrar em contato
A Ouvidoria Especial de Combate a Crimes Raciais e de Intolerância está aberta a toda a população e recebe denúncias, dúvidas e pedidos de orientação pelos seguintes canais:
- Telefone: (62) 3524-7776
- E-mail: [email protected]

