Novo líder do Irã promete endurecer controle do Estreito de Ormuz e cobra afastamento de países do Golfo em relação aos EUA e a Israel
10 abril 2026 às 14h35

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O novo líder supremo do Irã, Seyyed Mojtaba Khamenei, afirmou que o país adotará mudanças na gestão do Estreito de Ormuz e indicou que Teerã deve ampliar sua atuação estratégica no Oriente Médio. O pronunciamento foi transmitido em rede nacional, nesta quinta-feira, 9, em meio às homenagens pelos 40 dias da morte de Ali Khamenei.
Na fala, Mojtaba Khamenei indicou que o controle da principal rota global de petróleo e gás passará por mudanças. “Certamente levaremos a gestão do Estreito de Ormuz a um novo patamar. Não fomos e não somos belicistas, mas não renunciaremos a nenhum dos nossos direitos legítimos”, declarou. A região concentra cerca de 20% do fluxo mundial de energia, e o fechamento da passagem já provoca impacto direto nos preços internacionais.
O líder também reforçou o alinhamento do país com a chamada “frente de Resistência”, que reúne grupos contrários à política de Israel e dos Estados Unidos na região, como o Hezbollah, o Hamas e os Huthis. Segundo ele, o Irã levará em consideração todos os cenários de conflito, incluindo o Líbano e a Faixa de Gaza.
Em mensagem direcionada aos países do Golfo Pérsico, o aiatolá fez um apelo para que se afastem de Washington e Tel Aviv. Ele citou indiretamente nações como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Bahrein, acusados por Teerã de colaborarem com os ataques recentes ao território iraniano. “Permaneçam no lugar certo e cuidado com as falsas promessas dos malignos”, afirmou.
O pronunciamento ocorre após mais de 40 dias de confronto direto entre Irã, Estados Unidos e Israel, iniciado em 28 de fevereiro, quando forças americanas e israelenses passaram a bombardear alvos iranianos. Como resposta, Teerã adotou medidas como o bloqueio do Estreito de Ormuz e ataques a alvos estratégicos na região.
No discurso, Mojtaba Khamenei também afirmou que o país exigirá compensações pelos danos da guerra. “Vamos exigir indenização por todos os prejuízos causados e pelo sangue dos mártires e feridos”, disse.
Ao se dirigir à população iraniana, o líder destacou a importância da mobilização popular durante o conflito e pediu a continuidade das manifestações. “Essa presença é um pilar crucial da dignidade sobre a qual o poderoso Irã se estabeleceu”, afirmou. Ele também defendeu que a guerra teria aproximado diferentes setores da sociedade, reduzindo divisões internas.
Apesar do anúncio de um cessar-fogo temporário de duas semanas para negociações, o clima segue instável. Novos ataques de Israel ao território libanês elevaram a tensão e levaram autoridades iranianas a sinalizar a possibilidade de ruptura do acordo.
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