Em Goiás, os dados iniciais do Inquérito Telefônico de Fatores de Risco e Proteção para Doenças e Agravos Não Transmissíveis no Estado de Goiás (Vigitel) 2025 mostram a angústia feminina em relação à saúde mental: mulheres têm quase quatro vezes mais diagnóstico de depressão do que homens no estado.

De acordo com o levantamento, 24,1% das mulheres adultas afirmaram já ter recebido diagnóstico médico de depressão, enquanto entre os homens o índice é de 6,5%. No total da população adulta goiana, a prevalência é de 15,5%.

Em termos práticos, isso significa que cerca de 2 em cada 10 mulheres em Goiás convivem com o diagnóstico, ao passo que entre os homens o número é de aproximadamente 1 em cada 10. Considerando toda a população adulta, a proporção fica entre 1 e 2 a cada 10 pessoas. 

Além disso, quando se analisam as diferentes regiões do estado, os percentuais mostram variações, mas mantêm o mesmo padrão: a prevalência feminina permanece significativamente maior do que a masculina. Em diversas regiões, os índices entre mulheres superam os 20%, enquanto entre homens os percentuais ficam, em geral, abaixo de 10%.

Para a psicóloga clínica Caroline Dias, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Neuropsicologia, os dados revelam um sofrimento que muitas vezes não aparece de forma explícita. “Depressão não é apenas tristeza. Ela pode se manifestar como falta de energia persistente, perda de interesse, dificuldade de concentração, alterações no sono, culpa injustificada e até pensamentos sobre a morte. Muitas mulheres continuam funcionando por fora, mas estão adoecendo por dentro.”

Segundo a especialista, a sobrecarga ajuda a explicar parte desse cenário. Em geral, mulheres conciliam jornada profissional e tarefas domésticas, enfrentam pressões relacionadas à maternidade e à carreira e, além disso, lidam com oscilações hormonais ao longo da vida. “O resultado é uma soma de fatores que, sem intervenção adequada, pode evoluir para quadros graves”, alerta Caroline Dias.

Estudos internacionais reforçam essa diferença entre homens e mulheres. A maior metanálise já realizada sobre o tema, conduzida por pesquisadores da Universidade de Queensland e publicada na Nature Communications em agosto de 2025, analisou mais de 195 mil casos e apontou que mulheres carregam uma carga genética mais significativa para o Transtorno Depressivo Maior.

“Cada mulher que consegue evitar um afastamento mantém sua independência, sua autoestima e sua dignidade. Depressão é uma doença – e é tratável”, resume Caroline Dias.

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