A temporada 2024 da MotoGP começou oficialmente nesta sexta-feira, 8, com os treinos livres para o Grande Prêmio do Catar, etapa de abertura do campeonato, que será disputada no domingo, 10, no circuito de Losail. Além da expectativa em torno do desempenho do espanhol Marc Márquez, que estreia pela equipe Gresini Racing MotoGP após deixar a Honda, a categoria dá início, em 2024, a uma nova era marcada pelo uso de combustíveis sustentáveis.

A partir desta temporada, todas as categorias do Mundial de Motovelocidade passam a utilizar combustíveis com, no mínimo, 40% de origem não fóssil. A meta dos organizadores é que, a partir de 2027, os combustíveis sejam integralmente de origem não fóssil. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de soluções energéticas renováveis que, no futuro, possam ser aplicadas em veículos de uso cotidiano, como motos, carros, caminhões, aviões e embarcações.

Segundo a organização da MotoGP, a adoção desses combustíveis permitirá uma redução significativa das emissões de gases de efeito estufa em comparação à gasolina derivada de fontes fósseis. A proposta considera todo o ciclo de vida do combustível — da produção ao uso final — com foco na neutralidade de carbono. Para isso, os fornecedores também são incentivados a empregar fontes de energia renovável em seus processos industriais.

Considerada a “Fórmula 1 das motos”, a MotoGP é o campeonato mundial de motovelocidade mais antigo do mundo, disputado desde 1949. Atualmente, a competição é composta por quatro categorias: MotoGP, com motos de quatro cilindros e 1.000 cilindradas; Moto2, com motores de três cilindros e 765 cc; Moto3, com motores monocilíndricos de 250 cc; e MotoE, que utiliza motocicletas totalmente elétricas.

Na principal categoria, cada equipe e fabricante desenvolve seus combustíveis em parceria com fornecedores específicos. Já nas categorias Moto2 e Moto3, a empresa malaia Petronas é a fornecedora única. A companhia apresentou o combustível Petronas Primax Pro-Race M2, formulado com pelo menos 40% de biocombustível de origem não fóssil.

Detalhes

Embora os detalhes técnicos sejam mantidos sob sigilo, existem atualmente duas principais possibilidades para os combustíveis utilizados na MotoGP: produtos desenvolvidos em laboratório a partir da captura de carbono ou combustíveis derivados de resíduos urbanos e biomassa não alimentar.

A petrolífera espanhola Repsol, parceira histórica da Honda, informou que trabalha com duas alternativas: combustíveis sintéticos e biocombustíveis avançados. Os chamados e-fuels utilizam dióxido de carbono (CO₂), capturado da atmosfera ou de processos industriais, combinado com hidrogênio produzido a partir de fontes renováveis, o que pode reduzir a pegada de carbono a níveis próximos de zero.

Já os biocombustíveis avançados são produzidos a partir de resíduos florestais, dejetos animais e até óleo de cozinha usado. Embora já estejam disponíveis comercialmente, esses combustíveis podem reduzir as emissões de carbono em até 90% em comparação à gasolina convencional, além de estimular a economia circular.