Morte de chefe da inteligência iraniana amplia crise no Oriente Médio e petróleo chega a US$ 110
06 abril 2026 às 11h34

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A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou nesta segunda-feira, 6, que Majid Khademi, chefe de sua organização de inteligência, morreu em um “ataque terrorista do inimigo americano-sionista”, em referência a Estados Unidos e Israel. Horas depois, Israel reivindicou a ação, segundo a Reuters. A morte ocorre em meio à escalada militar que já afeta a segurança energética global, com o petróleo operando na faixa de US$ 110 por barril e com novas ameaças envolvendo o estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para a exportação de petróleo e gás do Golfo.
A morte do general ocorre na véspera de um novo ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicano ameaçou lançar uma nova onda de ataques caso o Irã não aceite, até a noite de terça-feira, 7, a reabertura do Estreito de Ormuz para o tráfego internacional. O governo iraniano, por sua vez, rejeitou negociar sob pressão e informou, por meio de intermediários, que não aceita reabrir o estreito como parte de um cessar-fogo temporário.
No mercado, a reação foi imediata. O petróleo segue sob forte tensão desde o agravamento do conflito: nesta segunda-feira, 6, o barril do Brent era negociado a US$ 108,67, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, marcava US$ 110,58. Apesar do leve recuo, os dois contratos ainda refletiam a disparada da sessão anterior, quando dois indicadores subiram 11% e 8%, no maior salto absoluto desde 2020.
O centro da crise continua sendo o estreito de Ormuz. Segundo a Agência Internacional de Energia, cerca de 20 milhões de barris por dia transitaram pela passagem em 2025, o equivalente a aproximadamente 25% do comércio marítimo global de petróleo. A mesma rota também responde por 19% do comércio mundial de gás natural liquefeito.
Em paralelo, Estados Unidos e Irã analisam uma proposta de cessar-fogo articulada por intermediários, com previsão de interrupção imediata das hostilidades e negociação de um acordo mais amplo em 15 a 20 dias. O plano, no entanto, ainda não foi aprovado pela Casa Branca, e os ataques continuam.
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