Mensagens indicam que aluno antecipou duas questões do Enem meses antes da prova; itens continuam válidos
25 novembro 2025 às 18h46

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Conversas obtidas pela TV Globo revelam que o estudante de medicina Edcley Teixeira previu, ainda em março, duas questões de matemática muito semelhantes às que seriam cobradas no Enem 2025. O conteúdo circulou em um grupo de WhatsApp e incluía as respostas corretas. Apesar disso, os itens continuam válidos no gabarito oficial do Inep.
Até o momento, três perguntas foram anuladas após uma live divulgada cinco dias antes da prova. As mensagens indicam que alunos tiveram acesso, meses antes, a soluções idênticas às cobradas no Enem deste ano.
Probabilidade com resultado “125/216”
No dia 17 de março, Edcley orientou colegas a marcar a alternativa “125/216” caso encontrassem um exercício envolvendo lançamentos de dados. Em novembro, uma questão com estrutura equivalente apareceu na prova e tinha exatamente esse resultado como resposta. Mesmo assim, o item foi mantido pelo Inep.
No mesmo período, o estudante compartilhou um exercício sobre a redução da concentração de uma solução de 99,95% para 99,90% de água. A resolução indicada coincide com a resposta oficial do Enem, apenas com adaptação da unidade para litros. Esse item também não foi anulado.
Após o exame, Edcley retomou conversas antigas e celebrou a coincidência, dizendo acreditar que seus alunos acertaram ambas as questões.
Reportagem do G1 aponta que Edcley percebeu que o Prêmio Capes de Talento Universitário, voltado a calouros, utilizava perguntas que serviam como pré-teste do Enem. A partir disso, passou a incentivar universitários a participar da prova para memorizar exercícios. Segundo relatos, ele oferecia pelo menos R$ 10 por item registrado com fidelidade, montando um acervo próprio de questões.
O que dizem os envolvidos
Edcley afirma que não teve acesso privilegiado ao Enem e classificou o episódio como uma coincidência. O presidente do Inep, Manuel Palacios, disse que o caso não compromete a segurança técnica do exame. Já o ministro da Educação, Camilo Santana, reforçou que o cronograma está mantido e que o resultado será divulgado em janeiro.
Apesar das cobranças, o Inep ainda não esclareceu por que esses dois itens, antecipados em março, continuam válidos, ao contrário das questões exibidas na live que motivaram anulações.
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