Maria Lima das Graças, síndica do Edifício JK por mais de 40 anos, morre aos 78 em Belo Horizonte
14 março 2026 às 17h21

COMPARTILHAR
Maria Lima das Graças, que administrou o Edifício JK por mais de quatro décadas, morreu aos 78 anos nesta sexta-feira, 13, em Belo Horizonte. Ela estava internada desde o dia 4 de março no Hospital Felício Rocho, localizado no bairro Barro Preto, na região Centro-Sul da capital mineira.
A informação foi confirmada pelo advogado da família, Faiçal Assruy. A causa da morte não foi divulgada. A síndica ficou conhecida por comandar a administração do Edifício JK por cerca de 40 anos. O prédio, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer na década de 1950, é um dos marcos arquitetônicos de Belo Horizonte.
O condomínio abriga aproximadamente 999 apartamentos e cerca de 5 mil moradores, número comparável ao de uma pequena cidade.
A longa gestão chegou ao fim em setembro de 2025, quando Maria Lima das Graças precisou se afastar do cargo devido ao agravamento de problemas de saúde. Após o afastamento, a administração do condomínio passou a ser conduzida pelo advogado Manoel Gonçalves de Freitas, que também atuava como gerente do edifício.
Problemas de saúde
Nos últimos anos, a ex-síndica enfrentava complicações de saúde e passou por períodos de internação. Em agosto de 2025, ela foi hospitalizada após desenvolver uma infecção que exigiu tratamento com antibióticos.
Na ocasião, a internação prolongada chegou a gerar rumores sobre sua morte, posteriormente negados pela família.
Gestão marcada por controvérsias
Durante sua trajetória à frente do condomínio, Maria Lima das Graças esteve no centro de disputas com moradores e de processos judiciais relacionados à administração do prédio.
Entre os condôminos, ficou conhecida como a “Dama de Ferro do JK”, apelido associado ao estilo firme com que conduzia a gestão do condomínio.
Parte das críticas esteve ligada às dificuldades para realização de obras estruturais no edifício após o tombamento do imóvel pela Prefeitura de Belo Horizonte, em 2022. À época, a defesa da síndica argumentou que o condomínio enfrentava limitações financeiras e que as intervenções eram realizadas dentro das possibilidades dos moradores.
Ações na Justiça
As disputas envolvendo a administração do edifício chegaram ao Judiciário. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) moveu uma ação contra o condomínio, a síndica e um gerente de administração, apontando falhas estruturais e de segurança no prédio.
Moradores também relataram questionamentos sobre a gestão das receitas condominiais, estimadas em cerca de R$ 700 mil mensais, além de críticas a exigências consideradas excessivas para candidatos ao cargo de síndico.
A defesa de Maria Lima das Graças sempre negou irregularidades e atribuiu as denúncias a disputas internas entre moradores do edifício.
Leia também: Vorcaro é transferido para ala de saúde em presídio federal de Brasília; entenda o motivo

