O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou a menor taxa de aprovação de projetos de autoria do Executivo no Congresso Nacional desde a redemocratização, segundo levantamento do Ranking dos Políticos. De acordo com o estudo, apenas 28% das propostas aprovadas pelo Legislativo federal até o momento no atual mandato tiveram origem exclusiva no governo. O índice é significativamente inferior ao de gestões anteriores.

O levantamento aponta que o Congresso Nacional do Brasil tem atuado com maior autonomia, priorizando projetos de iniciativa própria em vez de depender da pauta do Executivo, como ocorria em períodos anteriores.

Na comparação histórica, governos anteriores registraram taxas mais elevadas. Durante os primeiros mandatos de Lula, por exemplo, os índices chegaram a 77% e 65%. Já nas gestões mais recentes, como a de Jair Bolsonaro, a taxa foi de cerca de 50%.

Para analistas, o cenário reflete mudanças estruturais na relação entre os Poderes, incluindo o fortalecimento do Legislativo após a ampliação das emendas impositivas, que aumentaram a autonomia orçamentária dos parlamentares. Também pesam diferenças de perfil político entre o Executivo e o Congresso.

O relatório destaca ainda que, embora tenha aprovado centenas de propostas em 2025, o Congresso concentrou esforços em matérias infraconstitucionais, acordos internacionais e ajustes regulatórios, deixando de lado reformas estruturais de maior impacto.

Na Câmara dos Deputados, foram aprovados 308 projetos ao longo do ano, com maior concentração em períodos específicos. Já o Senado Federal do Brasil aprovou 261 propostas, com destaque para temas econômicos.

Segundo o estudo, o comportamento do Legislativo também reflete um ambiente de pré-campanha eleitoral, com maior cautela na tramitação de propostas de maior custo político.

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