O empresário e ex-candidato à Prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “não perde para ninguém” em um cenário eleitoral para 2026. A declaração foi dada em entrevista à Folha de S.Paulo, na qual Marçal avaliou a disputa presidencial, o desgaste das lideranças tradicionais da direita e o futuro político do país.

Segundo Marçal, Lula segue como o nome mais forte do cenário nacional, mesmo diante do desgaste provocado por crises internas de governo e disputas políticas. Para ele, a força eleitoral do presidente está associada ao que chama de “influência histórica” do petista. “Infelizmente o Lula é o político mais influente da história”, afirmou.

O ex-candidato, no entanto, pondera que a permanência do atual cenário depende da saúde política e física do presidente. “Cada ano do Lula agora representa 10 mil, pelo fato de ele estar senil. Se nesse ano ele tiver a queda que o Biden teve, aí é uma probabilidade de dar 100% errado para ele”, disse. Mesmo assim, Marçal avalia que o petista não está formando sucessores e permanece como única referência eleitoral consistente no campo da esquerda.

Marçal avalia que a direita brasileira vive um “vazio de protagonismo” e que as principais lideranças do campo não conseguiram renovar seu capital político. Ele cita o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como “maior líder natural”, mas condiciona sua força ao apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Sem a bênção do Bolsonaro, ele vale a metade”, disse.

Ao comentar a situação do próprio Bolsonaro, Marçal afirmou que o ex-presidente “se vendeu não”, mas disse que “política é desse jeito”, defendendo que o sistema político brasileiro é dominado pelo centrão. “Quem manda no país não são os caras que pregam princípio, são os caras que pregam dinheiro”, declarou.

O empresário relembrou momentos da campanha municipal em São Paulo, marcada por confrontos públicos, controvérsias e forte presença digital. Segundo ele, os 90 dias de campanha foram “um pesadelo” e envolveram “privação” e desgaste emocional. Marçal também comentou o episódio da divulgação de um laudo falso contra Guilherme Boulos e disse que não teve contato direto com o documento. “Acho que isso foi completamente desnecessário. Se eu soubesse que era uma situação adversa da realidade jamais aprovaria”, afirmou.

Ele admitiu exageros durante debates eleitorais, mas disse que não se arrepende da estratégia adotada. “Alguém precisava chamar a atenção. Alguém rodou arquétipo de rebelde, de bobo da corte”, justificou.

Questionado sobre uma eventual nova candidatura, Marçal afirmou estar “desconectado” da política e focado em negócios e família. “Se meu coração falar ‘vai’, eu vou. Se não falar, eu não vou”, disse. Ele negou estar aguardando decisões judiciais para se posicionar e afirmou não ver necessidade de se inserir novamente no debate público no momento.

Apesar do afastamento, o empresário sustenta que o país pode romper a polarização caso surja um nome “outsider e próspero”, desvinculado das disputas tradicionais entre Lula e Bolsonaro. Até lá, segundo ele, Lula permanece como o favorito absoluto.

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