Libélulas fêmeas fingem morte para escapar de assédio de machos, aponta estudo
27 março 2026 às 16h57

COMPARTILHAR
Fêmeas da espécie de libélula Aeshna juncea adotam uma estratégia extrema para escapar da perseguição de machos: elas despencam no chão durante o voo e se fingem de mortas até que o perseguidor desista. O comportamento foi observado em situações de assédio reprodutivo dentro da própria espécie.
A cena foi registrada pelo pesquisador Rassim Khelifa, da Universidade de Zurique, durante estudo realizado nos Alpes suíços. Ao acompanhar duas libélulas em voo rápido, ele viu a fêmea mergulhar de forma brusca em direção ao solo e permanecer imóvel, virada de barriga para cima.
A princípio, a queda poderia indicar morte ou acidente. Mas, segundo a observação do cientista, o macho ficou nas proximidades por alguns minutos e, ao acreditar que a fêmea havia morrido, foi embora. Pouco depois, ela retomou o voo normalmente.
A partir desse episódio, o pesquisador passou a investigar se a atitude era intencional. Em um pequeno estudo, ele identificou que 88% das fêmeas observadas adotaram esse comportamento de falsa morte. Em mais de 60% dos casos, a estratégia funcionou e afastou os machos.
A explicação está ligada ao momento da reprodução. As fêmeas se aproximam de lagos para depositar os ovos, enquanto os machos permanecem no entorno à espera de cópula. Como um único acasalamento já é suficiente para fertilizar todos os ovos, esse período posterior à postura se torna especialmente delicado.
Segundo o estudo, quando há muitos machos concentrados no local, as fêmeas podem ser perseguidas logo após a oviposição. Nesses casos, a cópula forçada compromete não apenas a fertilidade, mas também reduz a longevidade do inseto.
Em outras espécies aparentadas, os machos acompanham a fêmea após o acasalamento e ajudam a afastá-la do enxame, o que reduz novas investidas. No caso da Aeshna juncea, esse comportamento não ocorre, o que deixa as fêmeas mais expostas à perseguição.
A hipótese levantada por Khelifa é que a espécie tenha adaptado um mecanismo normalmente associado à fuga de predadores para responder ao assédio sexual. De acordo com a pesquisa, todas as fêmeas que não recorreram à simulação de morte acabaram alcançadas pelos machos durante a fuga.
Leia também
Conheça a vida invisível dos protetores de animais em Goiânia

