Em meio a discussões cada vez mais acaloradas e respostas imediatistas, cresce o interesse por formas menos agressivas, e mais criativas, de demonstrar irritação. Com isso, xingamentos antigos do português voltam a circular como alternativas irônicas para responder alguém que está “enchendo a paciência”, sem recorrer à vulgaridade.

Termos como lambisgoia, mocorongo e mequetrefe fizeram parte do vocabulário cotidiano sobretudo entre os séculos XIX e início do XX, período em que a linguagem valorizava o duplo sentido, a sutileza e o sarcasmo. Diferentemente das ofensas diretas atuais, essas expressões funcionavam como códigos sociais: a força do insulto estava mais no tom e no contexto do que na agressividade explícita.

A seguir, veja alguns desses xingamentos clássicos, com seus significados históricos, que hoje reaparecem como curiosidades linguísticas e, para alguns, como respostas bem-humoradas:

  • Lambisgoia (1881): pessoa magra, vista como sem graça ou antipática; também associada a alguém fofoqueiro.
  • Sirigaita / Serigaita (1720): termo usado para se referir a mulher considerada provocadora ou respondona.
  • Estrupício (1913): indivíduo que atrapalha ou desperta reprovação social.
  • Songamonga (1881): pessoa sonsa, dissimulada ou excessivamente lenta e apática.
  • Mequetrefe (1967): alguém insignificante ou excessivamente intrometido.
  • Mocorongo (1940): indivíduo sem instrução, de hábitos rudes ou considerado cafona.
  • Bruaca (1836): termo pejorativo associado a mulher mais velha, vista como maldosa ou fofoqueira.
  • Pata-choca (1728): referência a pessoa obesa, de andar lento e desajeitado.
  • Chumbrega / Xumbrega (1789): algo ou alguém de má qualidade ou mau gosto.
  • Bocó (1889): pessoa infantil, ingênua ou pouco inteligente.
  • Varapau (1558): sujeito muito alto e magro, comparado a uma vara.
  • Paspalho (1858): indivíduo tolo ou inútil.
  • Palerma (1821): pessoa considerada estúpida ou de pouca inteligência.
  • Tongo (1888): alguém ingênuo ou intelectualmente limitado.
  • Chinfrin (1881): indivíduo insignificante ou de gosto duvidoso.
  • Balofo (1712): homem obeso e flácido.

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