Justiça solta influenciador que atropelou mulher em motel
03 fevereiro 2026 às 19h19

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O Tribunal de Justiça de Goiás mandou soltar nesta terça-feira, 3 o influenciador Nathan Ferreira Oliveira, acusado de atropelar uma mulher na saída de um motel em Aparecida de Goiânia, em abril de 2025. Na guerra de versões entre o autor e a vítima, ela alega que o atropelamento foi voluntário e ele diz que a garota de programa teria chamado três colegas para aumentar o valor, inicialmente tratado por R$ 500,00, conforme o Jornal Opção publicou em 14/4/2025. Os advogados de Nathan, Demóstenes Torres e Caio Alcântara, preferiram outra linha de defesa.
Na visão do Ministério Público, o que houve um assassinato tentado. “É nítido que o caso não se trata de crime doloso contra a vida, muito menos tentativa de feminicídio”, diz Demóstenes. “Conforme já consta no processo, a vítima não sofreu perigo de morrer e teve lesões leves. Essa discussão será feita no Superior Tribunal de Justiça.” Acolhendo o que pretendia o MP, o Poder Judiciário pronunciou Nathan (a sentença de pronúncia manda o réu ao Tribunal do Júri) e o manteve preso nos últimos nove meses. “A prisão preventiva, que atravessou 2025 e chegou a este ano, era absolutamente desnecessária”, comenta Caio Alcântara. “Nathan não possui antecedentes criminais e não representa qualquer risco à instrução processual.”

Demóstenes apontou nulidades no processo, como interrogatório “conduzido de maneira incompatível com o modelo acusatório de processo penal”. Para os advogados, “a vítima não correu risco de vida, permaneceu afastada de suas atividades durante apenas 15 dias e não apresentou sequelas permanentes”. Também não teria sido provada a vontade de matar, o chamado dolo.
Por isso, pediram que fosse revogada a prisão preventiva. O Ministério Público foi contra, mas os desembargadores concordaram com a soltura. Participaram da sessão, na manhã de 3/2, presidida por Alexandre Bizzotto, e o relator do caso, J. Paganucci Jr., além de Fábio Cristóvão de Campos Faria e do procurador de justiça Pedro Alexandre da Rocha Coelho.

