Justiça arquiva inquérito contra delegado da Polícia Civil de Goiás
13 janeiro 2026 às 19h47

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Luzes e festas familiares e comerciais. Faltavam dois dias para a ceia de Natal. Era 22 de dezembro de 2021. André Fernandes, delegado em Nerópolis, na Grande Goiânia, ex-diretor-geral da Polícia Civil, sofreu busca e apreensão em casa, assim como diversos outros agentes, na Operação Iscariotes. A acusação era de fraude de boletins de ocorrência de roubos de cargas para ficar com o prêmio das seguradoras das mercadorias. Cinco natais depois, na segunda-feira, 12, a Justiça de Goiás mandou arquivar o inquérito, inclusive a pedido do Ministério Público estadual.
Sobre André Fernandes, a juíza Ana Cláudia Veloso Magalhães, do 1º Juízo das Garantias da Comarca de Goiânia, escreveu que “a devassa em seus sigilos bancários e telemáticos não revelou qualquer indício de participação ou ciência dos fatos”.
Segundo a magistrada, a “análise exaustiva do conteúdo extraído dos dois aparelhos telefônicos apreendidos com o delegado [André Fernandes, à época em Trindade] não revelou comunicações, tratativas financeiras, orientações funcionais ilícitas ou qualquer outro elemento objetivo que indicasse participação nos registros fraudulentos ou no eventual recebimento de vantagem indevida”.

Foram extraídas mensagens também do telefone da escrivã Lilian Pimentel, que trabalhou com André em Trindade e teria registrado as ocorrências fraudulentas. Segundo a juíza, “a servidora manifesta preocupação com eventual desconfiança por parte do delegado [André], o teor indica inquietação subjetiva da servidora, sem qualquer conteúdo que denote ciência ou participação do delegado em práticas criminosas”.
André é um dos grandes quadros da Polícia Civil goiana. O delegado foi impiedosamente devassado e saiu por cima quando o próprio promotor de justiça, ao verificar sua inequívoca inocência, pediu o arquivamento do inquérito, prontamente acolhido pelo Poder Judiciário. — Demóstenes Torres
O advogado Demóstenes Torres, que atuou no caso, lembra que “André é um dos grandes quadros da Polícia Civil goiana. Segundo ele, o delegado “foi impiedosamente devassado e saiu por cima quando o próprio promotor de justiça, ao verificar sua inequívoca inocência, pediu o arquivamento do inquérito, prontamente acolhido pelo Poder Judiciário”. Para Demóstenes, trata-se de “um exemplo edificante de que Polícia e Ministério Público não podem ser cabos de chicote para a prática de vingança”.
A sentença, minuciosa e robusta em informações, demole a ação policial quanto a André, que agora deve entender por que a operação foi batizada em louvor ao personagem bíblico que traiu o Cristo.
“André Fernandes foi exaustivamente investigado por mais de cinco anos, com procedimento na Corregedoria da Polícia Civil, busca e apreensão em sua residência e quebra de sigilos bancário e telemático”, narra o advogado Caio Alcântara, que também atuou em sua defesa. “Absolutamente nada foi produzido em seu desfavor. O MP e o Poder Judiciário lhe deram um atestado de honestidade, porque o passaram por um moedor de carne e ele saiu inteiro do outro lado, provando que é honesto.”

