Três décadas após ganhar projeção nacional, o episódio conhecido como ET de Varginha voltou ao debate público a partir de documentos oficiais das Forças Armadas. Um Inquérito Policial Militar (IPM) aponta que a suposta criatura extraterrestre vista em 1996, em Varginha, era, na verdade, um homem com transtornos mentais que costumava circular pela cidade, frequentemente agachado.

De acordo com o Superior Tribunal Militar (STM), o órgão mantém sob sua guarda dois volumes do IPM, com cerca de 300 páginas cada, instaurado em março de 1997 pelo comando da Escola de Sargentos do Exército.

A apuração teve como objetivo investigar boatos sobre um suposto envolvimento de militares e viaturas do Exército na apreensão e no transporte da alegada criatura. O inquérito relata que a história ganhou força após três jovens afirmarem ter visto uma figura agachada próxima a um muro em um dia de chuva intensa, com registro de granizo, em um bairro da cidade.

Depoimentos colhidos, inclusive de um militar do Corpo de Bombeiros local, indicam que a cena pode ter sido fruto de interpretação equivocada em condições climáticas adversas.

Segundo a investigação, as testemunhas teriam confundido a suposta entidade com um morador conhecido por perambular pelas ruas e permanecer frequentemente de cócoras em diferentes pontos de Varginha. Uma fotografia do homem foi anexada aos autos do IPM como elemento de referência.

O STM informa ainda que os dois ufólogos responsáveis pelo livro Incidente em Varginha, obra que popularizou o caso em âmbito nacional, foram ouvidos durante a apuração. Todos os militares citados no livro prestaram depoimento e negaram participação em qualquer operação relacionada ao episódio.

A investigação também detalha itinerários, horários de saída e retorno de viaturas militares mencionadas nas versões divulgadas à época, demonstrando a inexistência de deslocamentos compatíveis com o alegado transporte da criatura. Motoristas e superiores hierárquicos igualmente negaram envolvimento.

Ao final, o IPM concluiu que não há indícios de participação de militares nem de operações do Exército no chamado caso. Segundo o STM, os documentos estão disponíveis para consulta pública no site do tribunal, permitindo acesso integral aos autos por qualquer cidadão.

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