Governo de Goiás apresenta plano florestal para impulsionar a silvicultura com lideranças do setor privado
15 janeiro 2026 às 16h45

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O Governo de Goiás apresentou, nesta quinta-feira, 15, o Plano de Desenvolvimento do Setor Florestal em Goiás, iniciativa que tem como objetivo impulsionar a silvicultura no estado em parceria com lideranças do setor privado.
O plano reúne um conjunto de medidas voltadas ao estímulo da cadeia florestal, setor no qual Goiás ocupa atualmente a 12ª posição nacional, com cerca de 171 mil hectares plantados. No Brasil, a área total de florestas plantadas soma aproximadamente 10,5 milhões de hectares.
A silvicultura é o principal setor que promove o plantio de eucalipto, pinus, teca e seringueira, sendo responsável na fabricação de celulose e papel, produção de carvão vegetal, biomassa para geração de energia e painéis de madeira.
Segundo o vice-governador Daniel Vilela (MDB), o projeto busca colocar Goiás em posição de destaque no cenário nacional, além de fomentar o crescimento econômico do estado. “O Brasil lidera as exportações da base florestal, e Goiás precisa ser protagonista nesse setor que é pujante e apresenta alto crescimento diante da demanda global”, afirmou.
Daniel Vilela também ressaltou a participação do setor privado na construção do plano. “Essa iniciativa vai viabilizar ações governamentais e privadas, permitindo que os produtores tenham maior produtividade”, completou.
Participaram da apresentação representantes de diversas entidades da agroindústria, entre eles o presidente da Indústria Brasileira de Árvores (IBA), José Carlos Fonseca; o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner; o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha; o presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial-GO), Edwal Portilho; e o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB-GO), Luís Alberto.
Entre as medidas anunciadas está a desburocratização do licenciamento ambiental, com a previsão de inexigibilidade para atividades em propriedades com até 20 mil hectares. O plano também prevê maior agilidade no licenciamento de unidades de desdobramento de toras (pranchas e pranchões) com produção inferior a 300 m³ por ano, além de empreendimentos de produção de carvão vegetal oriundo de florestas plantadas com volume inferior a 30 mil metros de carvão (mdc) ao ano.
O vice-governador destacou ainda que o governo estadual atua em conjunto com a Secretaria da Economia para manter a atratividade tributária das indústrias de base florestal e viabilizar novos investimentos no estado.

Outro eixo do plano é a ampliação do acesso ao crédito, com linhas de financiamento que ofereçam taxas competitivas e períodos de carência compatíveis com o ciclo produtivo da silvicultura. As medidas envolvem recursos de fundos públicos, como o Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO), BNDES e Goiás Fomento, além de parcerias com fundos privados, abrangendo desde o plantio florestal até a transformação industrial.
De acordo com o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Pedro Leonardo, novas linhas de crédito específicas para o setor estão sendo estruturadas pela Goiás Fomento e devem ser disponibilizadas de forma imediata aos produtores.
Leonardo também destacou o cenário favorável do mercado global, impulsionado pela crescente demanda por papel, papelão e embalagens sustentáveis, especialmente em razão da expansão do comércio eletrônico. Segundo ele, o setor florestal global tem projeção de faturamento de US$ 77,68 bilhões até o final de 2026, o que representa uma oportunidade estratégica para Goiás.
Para o presidente da Adial-GO, Edwal Portilho, o plano cria um canal de diálogo direto para atender às demandas do setor produtivo. Ele ressaltou que o setor sucroenergético enfrenta atualmente um déficit de biomassa, devido ao aumento do consumo do bagaço de cana nas caldeiras industriais em 2024.
“Tivemos a implantação de mais de 30 usinas ao longo de pouco mais de uma década, período em que havia superávit de biomassa. Hoje, com o crescimento da economia industrial do estado, esse excedente deixou de existir, e já falta biomassa para atender às indústrias”, explicou.
Segundo Portilho, a iniciativa do governo, em parceria com entidades privadas e institutos de pesquisa, é fundamental para retomar o estímulo ao plantio florestal e garantir o abastecimento das cadeias produtivas, assegurando a continuidade do crescimento industrial de Goiás.
O plano também prevê a intensificação de investimentos em infraestrutura, aproveitando a localização estratégica do estado. As ações incluem o fortalecimento da malha rodoviária, o uso das ferrovias Norte-Sul e Centro-Atlântica, a futura Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), além do acesso ao modal hidroviário pelo Porto de São Simão e a utilização do Porto Seco de Anápolis.
Para o titular da Seapa, o setor florestal também tem grande potencial para contribuir com a produção de energia, especialmente por meio de usinas classificadas como “superavitárias”, que geram energia suficiente para suprir seus próprios processos produtivos e ainda disponibilizam excedente para a rede elétrica.
Além do setor sucroenergético, Pedro Leonardo destacou a importância do carvão vegetal como insumo estratégico para a agroindústria goiana, atendendo à demanda de laticínios, frigoríficos e unidades de secagem e beneficiamento de grãos. “Essas indústrias são superavitárias na produção de energia, elas produzem o suficiente para atender o seu próprio projeto e disponibilizam esse excedente de energia na rede local, podendo ter a possibilidade de utilização em outros processos industriais.”
Já o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, afirmou que Goiás não deve se limitar à produção de grãos e à pecuária, mas buscar protagonismo também na silvicultura. Segundo ele, o histórico de programas de incentivo, como o voltado à indústria do etanol, demonstra que o estado tem capacidade de liderar novas cadeias produtivas. “Não tenho dúvida que essa cadeia produtiva vai trazer muito desenvolvimento, muita harmonia e acima de tudo qualidade de vida para os goianos.”
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