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O Mapa da Inadimplência da Serasa de julho de 2025 mostra que o endividamento segue em alta no Brasil, atingindo 78,2 milhões de pessoas — o maior patamar da série histórica. Em Goiás, o índice preocupa: 46,04% da população adulta está inadimplente, percentual que coloca o Estado abaixo da média nacional de 47,93%. No Brasil, as dívidas somam R$ 482 bilhões.

De acordo com o levantamento, o brasileiro carrega em média R$ 6.177,74 em dívidas. A maioria dos inadimplentes tem entre 26 e 40 anos (34%) ou 41 e 65 anos (35,3%), mostrando que a faixa etária economicamente mais ativa é a que mais sofre com restrições de crédito. Além disso, o perfil é equilibrado entre gêneros: 50,4% homens e 49,6% mulheres.

O Serasa destaca que o volume de acordos firmados pelo programa Limpa Nome vem crescendo, com mais de 3,8 milhões de negociações fechadas em julho em todo o Brasil, das quais uma parcela expressiva foi registrada no Centro-Oeste. O valor médio dos acordos gira em torno de R$ 736, o que demonstra a busca dos consumidores por renegociar dívidas menores para “limpar o nome” e recuperar acesso ao crédito.

Na região Centro-Oeste, o Distrito Federal lidera o ranking da inadimplência, com 60,94% da população endividada — segundo maior índice do País. Mato Grosso aparece com 50,4% e Mato Grosso do Sul com 55,82%. Goiás, portanto, é o único estado da região abaixo da casa dos 50%, mas ainda assim com quase metade de seus cidadãos em situação de inadimplência.

Para aqueles que já estão inadimplentes e com o nome sujo nos órgãos de proteção ao crédito, o gestor financeiro e analista de investimentos certificado pela Apimec, Yuri Olegário Vianna indica:

  • Mapear como está sua situação financeira e sua capacidade de assumir acordos de quitação ou parcelamento de dívidas. Não adianta fechar um acordo e depois não conseguir pagar. Tirar dinheiro do orçamento para quitar uma dívida, mas acabar caindo em outra, não faz sentido.
  • Após mapear seu orçamento atual, liste todos os seus débitos e comece negociando as dívidas com juros mais altos, pois são essas que crescem mais rapidamente.
  • Para negociar, você pode entrar em contato diretamente com a instituição credora ou aproveitar os feirões de renegociação de dívidas, geralmente promovidos por instituições como Serasa e SPC.
  • Lei do Superendividamento: Em casos de acúmulo de dívidas, essa lei pode facilitar a negociação e proteger o consumidor contra assédio de credores.
  • Como estamos caminhando para o final do ano, vale lembrar que esse período costuma ser interessante para buscar acordos. Muitas instituições oferecem melhores condições de negociação nessa época, com o objetivo de encerrar o ano com menores índices de inadimplência em seus balanços.
  • Outra dica: para dívidas mais antigas, nas quais as instituições já têm pouca expectativa de recebimento, as condições de negociação podem ser bem atrativas. Em muitos casos, é possível obter um bom desconto sobre o saldo devedor e até parcelamento sem juros.

Segundo Yuri, após a quitação, é necessário se organizar para não voltar ao vermelho. Faça um controle dos seus gastos, evite parcelar sem necessidade e crie o hábito de guardar uma parte da renda, mesmo que seja pouco. Um ponto importante: não assuma novas dívidas contando com rendimentos variáveis, como comissões sobre vendas, premiações, bônus ou qualquer outra forma de receita que ainda não recebeu. Se esse dinheiro não entrar, você pode acabar se apertando novamente.

Além disso, evite pagar juros. “Costumo sempre dizer: o efeito dos juros sobre o seu orçamento equivale a rasgar dinheiro. Por exemplo, ao pagar 100 reais de juros, imagine-se abrindo a carteira e rasgando uma nota de 100 reais”, completa.

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