Genética do câncer em gatos pode ajudar na cura da doença em humanos
27 fevereiro 2026 às 10h54

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O sequenciamento do primeiro mapa genético detalhado do câncer em gatos domésticos pode acelerar o desenvolvimento de tratamentos tanto para felinos quanto para humanos. O estudo, publicado na revista Science, analisou o DNA tumoral de quase 500 gatos e identificou mutações que apresentam paralelos diretos com o câncer humano.
Ao revelar essas semelhanças, a pesquisa reforça o potencial dos gatos como modelo biológico dentro da abordagem de “Medicina Única”, que integra saúde animal e humana.
O trabalho foi conduzido por uma equipe internacional liderada pelo Instituto Wellcome Sanger, em Cambridge, no Reino Unido. Os cientistas examinaram aproximadamente 1 mil genes associados a 13 tipos diferentes de câncer felino.
Como o perfil mutacional dos tumores em gatos permanecia pouco caracterizado, os pesquisadores realizaram o sequenciamento direcionado de 493 pares de tecido tumoral e tecido normal, com foco nos ortólogos felinos de genes humanos ligados ao câncer.
Entre os principais achados, o gene TP53 apareceu como o mais frequentemente mutado. Além disso, foram observadas alterações recorrentes, como a perda dos genes PTEN ou FAS e o ganho de MYC. No total, os pesquisadores identificaram 31 genes condutores, além de assinaturas mutacionais, sequências virais e variantes germinativas predisponentes a tumores.
“A genética do câncer em gatos tem sido uma verdadeira incógnita até agora”, afirma a pesquisadora Louise Van der Wayden, líder do estudo. “Quanto mais pudermos entender sobre o câncer em qualquer espécie, melhor para todos.”
Um dos pontos mais promissores envolve o câncer de mama triplo negativo, subtipo agressivo que representa cerca de 15% dos casos de câncer de mama em mulheres. Os gatos desenvolvem essa forma com mais frequência do que os humanos, o que oferece aos pesquisadores acesso ampliado a amostras biológicas e, consequentemente, novas oportunidades para testar terapias e identificar alvos terapêuticos.
Ao mapear mutações potencialmente acionáveis, o estudo sugere caminhos para o desenvolvimento de medicamentos inovadores que poderiam beneficiar pacientes das duas espécies.
Além do aspecto genético, os cientistas destacam também a relevância ambiental. Cães e gatos compartilham os mesmos espaços que seus tutores, o que significa que estão expostos a fatores ambientais semelhantes, desde poluentes até padrões alimentares e estilo de vida. Embora a oncologia veterinária tenha avançado significativamente em pesquisas com cães, os felinos permaneceram relativamente negligenciados até agora.
“Isso pode nos ajudar a entender melhor por que o câncer se desenvolve em gatos e humanos, como o mundo ao nosso redor influencia o risco de câncer e, possivelmente, encontrar novas maneiras de preveni-lo e tratá-lo”, afirma Geoffrey Wood, do Ontario Veterinary College.
A importância do estudo cresce quando se observa a presença massiva dos gatos na vida cotidiana. No Reino Unido, quase um quarto dos lares possui ao menos um felino. No Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação, mais de 30 milhões de gatos vivem como animais de estimação, número que se aproxima do total de cães no país.
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