Comuns nas comemorações de Natal, Ano-Novo e outras datas festivas, os fogos de artifício representam um fator de risco para a saúde física e emocional de cães e gatos. Os estampidos altos e imprevisíveis ativam o instinto de sobrevivência dos animais, provocando medo intenso, tentativas de fuga e alterações comportamentais que podem resultar em acidentes ou agravamento de doenças. A médica-veterinária Adriana Cássia de Faria alerta que a prevenção é fundamental para reduzir o sofrimento dos pets.

Ilustração mostra como proteger animais dos fogos de artifício | Foto: Reprodução

Barulho intenso provoca pânico real nos animais

De acordo com a especialista, a audição dos animais é significativamente mais sensível que a dos humanos, o que torna os fogos especialmente agressivos.

“Os fogos de artifício não são apenas incômodos para os animais. Para muitos cães e gatos, o barulho intenso e imprevisível ativa o instinto de sobrevivência, provocando pânico real”, explica Adriana Cássia de Faria.

Em cães, esse medo costuma ser mais visível, com latidos excessivos, ofegância, tremores e agitação. “Os cães podem tentar fugir, se machucar dentro de casa ou até se perder, mesmo sendo animais que nunca escaparam antes”, afirma.

Já nos gatos, o estresse tende a ser silencioso. “Os gatos sofrem tanto quanto os cães, mas costumam se esconder por longos períodos. Esse silêncio não significa que está tudo bem. Pelo contrário, pode indicar um estresse intenso”, alerta a veterinária.

Ambiente seguro ajuda a reduzir o estresse

Uma das principais orientações é manter cães e gatos dentro de casa durante os períodos de fogos, mesmo aqueles acostumados a sair. Portas, janelas e cortinas devem permanecer fechadas para reduzir ruídos e clarões.

A preparação de um ambiente seguro também é fundamental. “Criar um abrigo dentro de casa, com caminhas, mantas, brinquedos e objetos com cheiro familiar, ajuda o animal a se sentir protegido”, orienta Adriana.

Para cães, o uso de sons contínuos, como televisão ou música suave, pode ajudar a abafar os ruídos externos. Para gatos, caixas de papelão, túneis ou casinhas fechadas funcionam como esconderijos naturais. “Nunca se deve forçar o animal a sair do esconderijo. Respeitar a forma como ele lida com o medo é essencial”, reforça.

Identificação evita perdas em caso de fuga

Mesmo com todos os cuidados, o risco de fuga existe. Por isso, a identificação é considerada indispensável. O uso de coleira com plaquinha contendo nome do animal e telefone atualizado do tutor aumenta as chances de reencontro. O microchip também é recomendado como medida complementar de segurança.

Medicamentos só com orientação veterinária

O uso de calmantes sem prescrição é contraindicado. “Medicamentos humanos podem ser extremamente tóxicos para cães e gatos e agravar o quadro clínico”, destaca Adriana Cássia de Faria.

Em casos de ansiedade severa ou histórico recorrente de pânico, a orientação é procurar um médico-veterinário com antecedência. “Existem opções seguras, como feromônios sintéticos e medicamentos específicos, mas cada animal precisa de uma avaliação individual”, explica.

Atenção aos sinais após os fogos

Após o término dos fogos, é importante observar o comportamento dos animais. Em cães, sinais como tremores persistentes, apatia ou recusa alimentar indicam que o estresse pode não ter sido superado. Em gatos, isolamento prolongado, perda de apetite ou eliminação fora da caixa de areia são alertas importantes.

“Em felinos, o estresse intenso pode desencadear problemas sérios de saúde, como a cistite idiopática, além de alterações urinárias e comportamentais”, ressalta a veterinária.

Impacto vai além dos animais

A especialista lembra que o barulho dos fogos não afeta apenas os pets. “Crianças pequenas, idosos, pessoas com Transtorno do Espectro Autista, ansiedade ou em recuperação hospitalar também sofrem com o som intenso. Não é exagero, é sofrimento real”, afirma.

Cuidado, empatia e responsabilidade

Para Adriana Cássia de Faria, proteger os animais durante as festas é uma atitude de responsabilidade. “Proteger os pets dos fogos de artifício é um ato de cuidado e empatia. Com informação e planejamento, é possível transformar uma noite potencialmente traumática em um momento mais seguro para todos.”

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