A presidente estadual do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Cíntia Dias, confirmou que propôs ao Partido dos Trabalhadores (PT) uma aliança para a disputa ao governo de Goiás em 2026 e defendeu que seu nome seja o cabeça de chapa dentro do campo progressista. Em entrevista ao Jornal Opção, Cíntia afirmou que apresentou a proposta à deputada federal e presidente do diretório estadual do PT, Adriana Accorsi, e disse ter recebido acolhimento à ideia de construção conjunta.

“A proposta é que a minha candidatura represente a candidatura da Frente. Eu continuo no PSOL. A ideia é que a gente construa essa unidade no campo progressista”, declarou. Segundo Cíntia, a discussão sobre federação partidária está em debate no diretório nacional, mas, independentemente do formato jurídico, a estratégia defendida pelo PSOL em Goiás é de unidade da chamada Frente Brasil Popular, envolvendo PT, PSOL, Rede, PV, PCdoB e Cidadania, além de lideranças sem partido.

Ela reforçou que não deixará o PSOL e que sua proposta é liderar a chapa majoritária dentro de uma composição mais ampla.

“A minha trajetória traria outras siglas que o PT não consegue acolher. A gente tem capacidade de diálogo com setores mais amplos e com partidos que historicamente não se alinham ao PT”, argumentou.

Disputa interna no campo progressista

Além de Cíntia, outros nomes circulam como pré-candidatos dentro do campo da esquerda. No PT, também há movimentações internas para definição de candidatura própria ao Palácio das Esmeraldas., entre eles o advogado e ativista Valério Luiz Filho e o vereador Edward Madureira

Questionada sobre seus diferenciais, Cíntia destacou a postura combativa e a defesa do “palanque do Lula” em Goiás.

“Se eu for cabeça de chapa, eu aumento esse número tanto na nossa campanha como na campanha do Lula. É uma campanha de coragem, de ousadia”, afirmou, citando o desempenho eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado em 2022.

Limites de alianças

Apesar de defender diálogo amplo, Cíntia foi enfática ao estabelecer limites para alianças.

Ela descartou qualquer composição com nomes ligados à direita tradicional goiana ou à extrema direita. Segundo a dirigente, não haverá acordo com grupos ligados ao ex-governador Marconi Perillo ou ao atual governador Ronaldo Caiado.

“O diálogo, sim. Mas aliança com extrema direita ou com quem já governou Goiás nesse campo, não”, afirmou.

Ao mesmo tempo, admitiu que pode discutir eventual composição em que o PSOL não esteja na cabeça de chapa, caso isso garanta unidade do campo progressista. “Dependendo de como venha a proposta, queremos garantir a unidade”, ponderou.

Estratégia para evangélicos e retomada da base

Cíntia também abordou a dificuldade histórica da esquerda em Goiás, considerado um estado conservador. Segundo ela, a estratégia passa por intensificar o trabalho de base e ampliar o diálogo com o segmento evangélico.

Ela anunciou articulação para trazer o pastor Henrique Vieira ao estado para uma plenária voltada ao público cristão.

“A esquerda segue os princípios cristãos de solidariedade e respeito. Precisamos disputar essa narrativa que hoje está dominada pela direita”, disse.

Para a dirigente, o PSOL mantém maior inserção em movimentos sociais e pode ajudar a reconstruir pontes com a base popular. “Nós somos um partido da base. Não saímos dela”, afirmou.

Prioridade é fortalecer a Câmara

Questionada sobre prioridades estratégicas, Cíntia revelou que, dentro da frente progressista, o foco principal neste momento é ampliar a bancada na Câmara Federal.

“A prioridade hoje é multiplicar a Câmara Federal no campo progressista”, declarou.

Sobre o Senado, ela afirmou que ainda não há definição de nomes pela frente e que as conversas estão em estágio inicial.

Próximos passos

O PT deve definir seu nome para o governo estadual até o fim de fevereiro, em articulação com a direção nacional. A eventual federação e o formato final da aliança também dependem de decisões partidárias nacionais previstas para março.

Enquanto isso, o PSOL intensifica articulações para consolidar seu nome como alternativa majoritária dentro do bloco de esquerda em Goiás, defendendo unidade, mas reivindicando protagonismo na disputa.

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