A posse do vice-governador Daniel Vilela (MDB) no comando do Executivo estadual, em meio ao cenário político que projeta o governador Ronaldo Caiado (PSD) para a disputa presidencial, abre uma nova fase de expectativas para a advocacia goiana.

A avaliação é da ex-presidente da OAB-GO Talita Hayasaki, que defende a manutenção de políticas consideradas estratégicas para a categoria, especialmente no pagamento de honorários da advocacia dativa.

Segundo Hayasaki, a Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás deve manter uma relação institucional com o novo governo, preservando sua independência. “A OAB é apartidária. Nós somos a maior entidade civil constituída, mas nós somos apartidários”, afirmou.

Apesar disso, ela destacou a importância da continuidade administrativa. “A gente tem uma esperança muito grande que o governo Daniel Vilela continue o trabalho do governador Ronaldo Caiado, especialmente com relação ao pagamento dos honorários da advocacia dativa”, disse.

De acordo com a ex-presidente, houve avanços significativos nos últimos anos. “Nós recebemos, em valores reais, o que nunca havia sido recebido durante todo o tempo da advocacia dativa. Então, a gente espera que esse respeito e essa reciprocidade continuem”, pontuou.

Hayasaki também ressaltou a importância do diálogo entre a OAB e o governo estadual. “Que a gente consiga continuar esse diálogo institucional forte e bem estabelecido que sempre tivemos, seja a nível de projetos de lei ou de qualquer outro grande projeto que envolva a advocacia do estado de Goiás”, afirmou.

Violência contra a mulher preocupa e mobiliza OAB

Outro ponto destacado pela advogada foi o aumento dos casos de feminicídio, tema que, segundo ela, tem mobilizado a entidade em Goiás e no país. “É uma situação muito preocupante, especialmente porque atinge todos os níveis de classe social e cultural que a gente possa pensar”, afirmou.

Ela ressaltou que, apesar de Goiás apresentar números menores em relação a outros estados, o problema exige atenção contínua. “É, sim, uma política pública muito importante, em que a OAB tem uma atenção muito forte, muito especial”, disse.

A ex-presidente também destacou a expectativa de continuidade da parceria com o governo estadual no enfrentamento à violência contra a mulher. “Nós contamos e continuaremos a contar com o governo de Goiás nesse sentido”, afirmou.

No âmbito nacional, Hayasaki apontou a necessidade de mudanças na legislação, especialmente em casos envolvendo advogados acusados de violência. “A lei federal determina um prazo de suspensão que a gente não pode ultrapassar. Foi nesse sentido a nossa provocação”, explicou. A advogada defende que o tema avance no Congresso Nacional.

Segundo ela, a OAB tem atuado para discutir limites legais que, atualmente, restringem punições mais severas. “A gente espera contar, num cenário nacional, com apoio para que a gente consiga alterar essa lei e, assim, garantir cada vez mais a segurança pública das mulheres, em especial”, concluiu.

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