Em Israel durante a guerra, rabino de Goiânia relata tensão, sirenes e rotina em abrigos
23 março 2026 às 16h01

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O Jornal Opção entrevistou com exclusividade o rabino Peretz, da Sinagoga Beit Yehudá, de Goiânia, que está em Israel durante a guerra contra o Irã. O sacerdote viajou ao país para aprofundar os estudos e pretende retornar em junho, caso os aeroportos estejam funcionando normalmente.
A primeira ligação realizada com o religioso foi interrompida por um alerta de mísseis, que o obrigou a buscar abrigo. Com o acesso à internet restabelecido, o rabino respondeu às perguntas da reportagem e detalhou o dia a dia da população israelense em meio ao conflito.
O rabino explica que a rotina tem sido marcada por tensão constante. Ao som das sirenes, a população precisa correr para abrigos para se proteger dos estilhaços gerados pela interceptação de mísseis.
“Israel tem um sistema de defesa civil bastante organizado e eficiente, porém ainda há possibilidade de ocorrências com estilhaços após os mísseis serem neutralizados. Imagine vários pedaços de um míssil caindo do céu. Mesmo sem carga explosiva, ainda são capazes de causar danos, inclusive à vida. Por isso, existe a necessidade de se abrigar”, relatou.
Ele acrescenta que a população israelense já possui experiência em lidar com esse tipo de situação e segue com rigor as orientações de segurança.
Legitimidade da guerra
O Jornal Opção também questionou se, na visão do rabino, a guerra contra o Irã é uma iniciativa justa ou se não deveria estar acontecendo. O sacerdote afirma que se trata de uma situação complexa, cuja resposta varia conforme o ponto de vista individual.
Mesmo sob bombardeios e diante da ansiedade provocada pelo contexto de guerra, o rabino reforça que o desejo predominante é pela paz.
“Israel vive em uma situação de guerra em que precisamos proteger os civis, as famílias, mulheres, idosos e crianças. Ninguém deseja o conflito aqui. Queremos paz e buscamos a paz no que depende de cada indivíduo, pois a guerra coloca todos em uma situação crítica”, pontua.
Ele ainda destaca que, como em qualquer democracia, há divergência de opiniões, mas afirma que grande parte da população espera que o conflito termine rapidamente e prioriza a busca pela paz.
Dificuldades enfrentadas pela população
Peretz afirma que o maior desafio, no momento, é a tensão psicológica constante, acompanhada de um cenário de incerteza. Segundo ele, o Irã já iniciou a 12ª onda de ataques aéreos contra Israel, utilizando mísseis de longo alcance.
O regime iraniano afirma ter como alvo estruturas militares, mas, ao mesmo tempo, orienta que a população civil busque abrigo constantemente.
A visão in loco do rabino reforça o risco enfrentado por civis durante o conflito.“Infelizmente, em uma guerra moderna, ataques podem atingir tanto alvos militares quanto alvos civis”, disse.
Apesar do cenário de insegurança, o rabino destaca que o acesso à água, alimentos e serviços essenciais segue mantido.

