Empresário é apontado como epicentro de esquema bilionário do PCC em combustíveis

28 agosto 2025 às 17h56

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Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo” ou “João”, é apontado pela Justiça como o epicentro de um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes fiscais do Primeiro Comando da Capital (PCC). O empresário, que se apresentava como CEO da empresa de logística G8LOG, teria estruturado uma rede de empresas, familiares e sócios para movimentar ilegalmente bilhões de reais por meio do setor de combustíveis.
Segundo decisão do juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, Mourad operava em conjunto com parentes próximos e pessoas cooptadas, articulando negócios em distribuidoras, postos de combustíveis, fintechs e até redes de conveniência. A Receita Federal estima que cerca de mil postos espalhados em dez estados foram usados no esquema, com movimentação de aproximadamente R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
Investigações apontam que empresas como Copape e Aster eram usadas para fraudes fiscais e obtenção de créditos tributários ilegais, por meio da manipulação de preços. A Copape, responsável pela formulação de gasolina a partir de derivados de petróleo, chegou a ter a autorização cassada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), mas as operações teriam continuado sob a Sudeste Terminais, ligada à família Mourad.
A rede de parentes envolvia diferentes frentes:
- Amine Mourad, irmã de Mohamad, é dona da rede de conveniência Empório Express, com 168 lojas, e sócia da Sudeste Terminais.
- Armando Mourad, irmão, preside a Safra Distribuidora de Petróleo e controla empresas como a Monroy West Energy.
- Himad Mourad, primo, é fundador da Insight Participações, suspeita de blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro, além de atuar em fundos imobiliários.
- Ali Mourad, outro primo, é sócio da Conceb Engenharia, responsável pela construção do escritório de Mohamad em Catanduva.
A companheira de Mohamad, Silvana Corrêa, também aparece na investigação como dona da empresa VM Administração de Bens, usada para ocultar patrimônio.
Como funcionava a lavagem de dinheiro
O esquema utilizava postos de combustíveis, lojas de conveniência e até padarias como canais de lavagem. Valores em espécie e via cartão eram movimentados para simular faturamento regular. Além disso, fintechs ligadas ao grupo recebiam dinheiro vivo, que era misturado em contas-bolsão e reinvestido em fundos de investimento controlados pela organização.
Outro braço da fraude envolvia a importação de nafta, hidrocarbonetos e diesel para adulterar combustíveis. Apesar de inflamáveis, esses produtos tinham menor eficiência na queima, o que permitia inflar o volume comercializado e aumentar os lucros – prática que prejudicava consumidores e danificava veículos.
A operação deflagrada nesta semana teve 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, e determinou o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens. Do total, 42 alvos estão localizados na Avenida Faria Lima, em São Paulo, um dos maiores centros financeiros do país.
Até o momento, seis prisões foram cumpridas. Mohamad Mourad e outros sete investigados seguem foragidos.

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