Elias Vaz, após Aava assumir PSB em Goiás: “Não tenho vaidade quanto a isso. O que eu quero é ajudá-la no que for possível”
07 janeiro 2026 às 19h30

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Após meses de especulação, foi confirmada na última segunda-feira, dia 5, a ida da vereadora Aava Santiago para o PSB. A mudança de partido, que marca sua saída do PSDB, foi acompanhada por uma reconfiguração na direção estadual da legenda, que passa a ser comandada pela parlamentar em Goiás.
Em entrevista ao Jornal Opção, o agora ex-presidente da sigla, Elias Vaz, um dos principais articuladores da filiação de Aava, afirmou não ter vaidade em abrir mão do comando do partido no estado. Ele destacou ainda que a vereadora tem uma trajetória brilhante e “muito a contribuir com a legenda”.
Vaz também descartou a possibilidade de Aava disputar o governo de Goiás e garantiu que ela deve obter uma votação expressiva na próxima eleição como deputada federal.
Ton Paulo – Com essa ida da Aava Santiago para o PSB, algo que já havíamos adiantando ao longo do ano, ela acabou assumindo o partido. Como fica a sua situação dentro da sigla? Você vai assumir a vice? Houve rumores de que você poderia sair.
Não, de forma alguma. Para mim isso não existe. Eu sou membro da executiva nacional do partido e tenho um mandato de três anos nessa instância. Então não há nenhum problema nesse sentido.
Desde o início, quando surgiu a hipótese da vinda dela, eu deixei isso muito claro. Há cerca de dois meses participamos de uma reunião em Brasília, eu, ela e o João Campos, e eu disse claramente que abriria espaço para ela. Ela passou esse período construindo e sempre teve o meu apoio. Nunca houve ponto de conflito. Desde o começo eu coloquei que, se ela viesse, eu abriria a presidência para ela.
Ton Paulo – Então foi tudo acordado?
Foi tudo acordado. Eu participei de todo o processo. Como eu disse, há dois meses atrás estivemos juntos em Brasília, eu, ela e o João Campos. Isso foi algo construído com diálogo.
Não houve nenhum contratempo. Pelo contrário, nós nos reunimos várias vezes aqui em Goiânia, apenas eu e ela.
Para nós, isso é motivo de alegria. É uma vitória para o partido. A Aava é uma pessoa que agrega muito, tem um futuro político brilhante e já possui uma trajetória com referência nacional incontestável. Ter a Aava no PSB é uma alegria inclusive para o partido em nível nacional.
Ton Paulo – Algumas fontes do PSB já me disseram que ela deve disputar uma vaga de deputada federal. Existe alguma chance de vocês lançarem o nome dela ao governo ou isso está descartado?
Não há nenhuma possibilidade nesse sentido. Claro que o nome dela tem muito peso, mas eu, particularmente, aposto que a Aava será eleita deputada federal com uma votação expressiva nas próximas eleições. Não tenho dúvidas de que a vinda dela para o PSB vai engrandecer e fortalecer muito o partido.

Ton Paulo – E o senhor deve disputar uma vaga de deputado estadual?
Ainda não sei. Estou conversando internamente, ouvindo as condições. O mais importante agora é ajudar a construir a chapa estadual e federal. Eu não só não saio do partido, como estou mais empolgado do que nunca para construir um projeto sólido do PSB.
Ton Paulo – Sabe-se que você é um nome próximo, até amigo, do vice-governador Daniel Vilela. Como o PSB está nessas articulações? Vocês podem caminhar com Daniel ou com Marconi?
Essa é uma discussão que nós vamos fazer internamente. A prioridade do PSB é a construção das chapas estadual e federal. Isso já está estabelecido.
É claro que tanto eu quanto Karlos Cabral temos colocado algumas posições. Eu, pessoalmente, tenho uma relação de amizade com o Daniel. Não escondo isso de ninguém. Tenho uma grande simpatia pela candidatura dele e isso é público. Mas essa é uma construção que ainda precisa ser debatida dentro do partido.
Eu respeito muito a relação histórica que a Aava tem com o Marconi. Essas coisas exigem respeito, convivência e a busca pelo melhor caminho. Existe também a possibilidade de uma candidatura mais alinhada ao campo da esquerda.
São várias possibilidades colocadas para o PSB. Vamos discutir tudo de forma tranquila, sem problema algum. É natural que cada um tenha suas preferências, mas o caminho será definido levando em conta, acima de tudo, o que for melhor para o partido.
O único veto que existe é a candidaturas da ultradireita. Não é o caso nem do Daniel, nem do Marconi, nem, obviamente, de uma candidatura do campo do PT.
Leia também: Aava Santiago deixa o PSDB e assume presidência do PSB em Goiás
Ton Paulo – Como o senhor enxerga o nome do Professor Edward?
Edward é um excelente nome, sem dúvida. Mas, pelo que eu sinto, ele está priorizando uma candidatura a deputado federal.
Acho que ele tem grandes chances de se eleger deputado federal e não deve abrir mão disso. De qualquer forma, é um bom nome e tenho muito respeito por ele, tanto pela história quanto pela amizade pessoal. Tudo isso ainda vai estar na mesa para discussão.
Ton Paulo – E quanto ao Gilvane Felipe?
Também é um bom nome. O que nós vamos discutir é qual o melhor caminho para o PSB eleger deputados federais e estaduais. Essa é a centralidade do debate.
Ton Paulo – O PSB já definiu quem vai apoiar para o Senado? Jorge Kajuru será candidato à reeleição?
Se o Kajuru quiser ser candidato, o PSB não tem nenhuma dúvida. Não há negociação nesse sentido. Se ele quiser disputar o Senado ou até mesmo outro cargo, como deputado federal, o partido vai apoiá-lo.
Ton Paulo – Com essa nova reformulação do PSB, o senhor segue na executiva em outro cargo ou não?
Isso não é uma preocupação para mim. Como sou membro da executiva nacional do partido, que é a instância máxima, ocupar ou não um cargo na executiva estadual é algo secundário.
Eu não tenho vaidade em relação a isso. O que eu quero é ajudar a Aava. Vou ajudá-la no que for possível. Tenho humildade para isso. Sei que ela vai presidir o partido e, no que eu puder contribuir, estarei à disposição.

