O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, criticou a decisão do PSD sobre a escolha do candidato à Presidência da República em um vídeo postado em suas redes sociais. Sem citar o nome de Ronaldo Caiado – que deve ser anunciado formalmente nesta segunda-feira, 30, – Leite afirma que não vai discutir o veredito, mas que “a decisão tomada pelo partido tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país.”

“Hoje, o meu partido, o PSD, tomou uma decisão importante ao definir o seu caminho para a eleição presidencial. Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa decisão. Mas isso não significa ausência de convicção”, começa no vídeo.

Eduardo continua o vídeo agradecendo o apoio que recebeu de “lideranças políticas, de economistas que ajudaram a construir momentos importantes do Brasil, de pessoas da sociedade civil, de cidadãos comuns. E todas, todas essas vozes apontavam na mesma direção.”

Ainda na gravação, Leite destaca que existe um Brasil com desejo de “mais equilíbrio, por mais sensatez, por mais respeito. Um desejo por uma política que não precisa gritar para ser ouvida, que não precisa dividir para existir, que não trate quem pensa diferente como inimigo. O Brasil está cansado, muito cansado, de uma disputa que aprisiona o debate entre os extremos”, afirma.

O governador critica a escolha realizada pelo partido. “E, com toda franqueza, a decisão tomada pelo partido tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país. Eu acredito num outro caminho. Eu acredito num centro liberal, democrático de verdade, não como uma posição de conveniência, mas como compromisso com a conciliação, com o diálogo, com a construção de soluções reais”, reforça.

No fim, Eduardo Leite diz que segue “leal ao Brasil, hoje, amanhã e sempre”. Com a gravação, Leite descumpre o combinado que já era de conhecimento público de que, quem fosse o nome escolhido, apoiaria o outro. Eduardo, inclusive, já teria anunciado ao partido que permanecerá no cargo de governador até o fim do mantado.

Histórico

Diferentemente de Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Jr. – outro nome que estava na disputa pela pré-candidatura, mas desistiu alegando questões locais – enfrentam dificuldades para consolidar sucessores em seus respectivos estados. Eduardo Leite até pontua bem para o Senado, mas já havia destacado desinteresse em concorrer a outro cargo se não fosse à Presidência.

Essa não é a primeira vez que Eduardo Leite é preterido na disputa presidencial. Quando ainda estava do PSDB, ele enfrentou um disputa nas prévias contra o então governador de São Paulo, João Doria, que venceu a disputa interna. Entretanto, sem o apoio da cúpula tucana e do baixo desempenho nas pesquisas, ele desistiu tanto da candidatura quanto da vida pública.

Com a saída de Doria, Leite tentou retomar espaço, mas o partido optou por apoiar Simone Tebet, à época no MDB, e o governador concorrer à reeleição no Rio Grande do Sul, sendo reeleito e o único a alcançar tal feito desde a redemocratização.

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