Quando Norberto Bobbio (1909-2004) escreveu, num livro pequeno mas clássico — “Direita e Esquerda: Razões e Significados de uma Distinção Política” —, que direita e esquerda estavam, por assim dizer, mais “vivas” do que nunca, intelectuais, nos dois espectros mas também liberais da melhor cepa, bradaram que estava equivocado.

Direita e esquerda estariam “superadas” e o mundo estava noutra vibe. Mas a realidade comprovou que o filósofo italiano estava certo. Não há como tangenciar: direita e esquerda estão ativíssimas, polarizando o debate em dezenas de países, como o Brasil.

O que está relativamente “esvaziado”, no momento, é o centro político. O que é ruim para a democracia. Quando o centro é forte, ainda que não seja dominante, contribui, de maneira decisiva, para o equilíbrio democrático.

Norberto Bobbio capa de Direita e esquerda

Quando direita e esquerda precisam do centro tendem-se a tornar mais democráticas. Tal ocorre no Brasil? Na verdade, de tão polarizadas, direita e esquerda avaliam, ao menos em parte, que o centro é “descartável”. Mas não é bem assim. O dirigente do instituto de pesquisa Quaest, Felipe Nunes, diz, de maneira aguda, que 10% dos eleitores vão decidir a eleição de 2026 para presidente da República.

Tais 10% certamente têm a ver com políticos e eleitores de centro. Talvez não tenham como apresentar um candidato para superar o presidente Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL. Mas podem decidir quem será o próximo presidente da República.

Uma coisa é praticamente certa — e vale reler a palavra “praticamente”: o próximo presidente da República do Brasil será da esquerda (Lula da Silva) ou da direita (Flávio Bolsonaro ou Ronaldo Caiado, do PSD).

Norberto Bobbio: um dos mais importantes filósofos italianos | Foto: Reprodução

Então, Norberto Bobbio estava e está certo: direita e esquerda estão na ordem do dia — incontornáveis. Tão incontornáveis quanto o pensador da Itália, possivelmente o filósofo político mais influente do século 20, ao lado da alemã Hannah Arendt.

Dada a importância do filósofo e político (foi senador vitalício), é imperdível a palestra “Norberto Bobbio — Método e Ideologia”, que será proferida por Carlos Henrique Cardim, embaixador, professor da Universidade de Brasília (UnB) e doutor pela Universidade de São Paulo (USP).

Carlos Henrique Cardim trouxe Norberto Bobbio ao Brasil, mais precisamente à UnB, em 1983.

Vilmar Rocha: ex-deputado federal, escritor e professor da UFG| Foto: Reprodução

A palestra terá dois intelectuais como debatedores Ricardo Leão e Vilmar Rocha (cujo livro sobre o livro sobre o populismo é lido em vários países, como Chile e Estados Unidos).

Ricardo Leão coordenador do curso de Direito da UEG de Morrinhos 400
Ricardo Leão: coordenador do curso de Direito da UEG de Morrinhos | Foto: Divulgação

Serviço sobre a palestra de Cardim no IHGG

Data: sexta-feira, 27, às 9h.

Local da palestra: auditório do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (a popular Casa Rosada). Rua 82, nº 455, Setor Sul, em Goiânia.

O patrocínio é do Instituto Vilmar Rocha e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Sob a batuta de Jales Mendonça, o IHGG se tornou um importante centro de debates.