DNA revela identidade de mulher e desmonta mistério sobre origem romana na Inglaterra
07 janeiro 2026 às 19h04

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Um novo sequenciamento genético solucionou um enigma arqueológico que se arrastava havia mais de uma década. Pesquisadores conseguiram identificar com mais precisão a origem da chamada Mulher de Beachy Head, uma jovem que viveu durante a ocupação romana da Grã-Bretanha e cuja ossada permaneceu esquecida em uma caixa no porão da prefeitura de Eastbourne, no sul da Inglaterra.
O estudo, publicado no fim do ano passado no Journal of Archaeological Science, utilizou técnicas avançadas de análise de DNA antigo para esclarecer a ancestralidade da mulher, descoberta em 2012 e inicialmente cercada por hipóteses controversas.
Pesquisas anteriores chegaram a sugerir que a jovem poderia ter ascendência africana subsaariana, o que a tornaria um possível exemplo de presença negra na Britânia romana. Outras análises, ainda inconclusivas, indicavam ligação com o Mediterrâneo ou com o Chipre.
A limitação, à época, era o estado degradado do material genético. Com novas tecnologias e genomas de referência mais completos, os cientistas conseguiram avançar. “Ao utilizarmos técnicas de DNA de última geração, conseguimos determinar a ancestralidade da Mulher de Beachy Head com muito mais precisão”, explicou William Marsh, pesquisador do Museu de História Natural de Londres.
Segundo ele, o perfil genético da jovem é semelhante ao de populações locais da Grã-Bretanha durante o período romano. A autora principal do estudo, Selina Brace, destaca que o caso ilustra como a ciência evolui. “Os avanços tecnológicos da última década permitiram revelar novas informações sobre essa pessoa e sua história de vida”, afirmou.
O contato entre Roma e a Grã-Bretanha começou em 55 a.C., durante a expedição militar liderada por Júlio César. A ocupação efetiva ocorreu quase um século depois, com a invasão comandada pelo imperador Cláudio, dando origem à província romana da Britânia. No auge, o território romano na região se estendia do sul da Inglaterra até áreas próximas da atual Escócia.
Evidências arqueológicas e genéticas indicam fluxos migratórios dentro do Império, inclusive com a presença de pessoas de diferentes origens vivendo na Grã-Bretanha. Embora o local exato de sepultamento seja desconhecido, a datação por carbono indica que a jovem morreu entre 129 e 311 d.C., período compatível com a ocupação romana.
Ela tinha entre 18 e 25 anos, cerca de 1,50 metro de altura e apresentava uma cicatriz grave na perna, não relacionada à causa da morte. Análises químicas dos ossos revelam uma dieta baseada principalmente em frutos do mar.
Com a nova leitura do DNA, os pesquisadores concluíram que ela tinha pele clara, olhos azuis e cabelos loiros, características compatíveis com populações rurais do sul da Inglaterra durante a era romana.
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