Neste Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado todo dia 2 de abril, o Jornal Opção conversou com Marcielle Cavalcante, mãe de gêmeos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que relatou os desafios enfrentados no desenvolvimento das crianças, especialmente no ambiente escolar e nas relações sociais.

Segundo ela, os filhos ainda enfrentam situações de exclusão. “Os meus filhos ainda são excluídos de aniversários, eles são excluídos da própria sala de aula”, afirmou.

Mãe de Fernando Filho e Izabelle, ambos com 7 anos, Marcielle conta que o diagnóstico ocorreu aos três anos de idade. Fernando apresenta TEA nível 3, com não verbalidade e necessidade de acompanhamento constante, além de comprometimentos cognitivos e motores. Já Izabelle foi diagnosticada com TEA nível 2, com dificuldades na comunicação.

Apesar das limitações, Marcielle afirma que houve evolução significativa com o acompanhamento especializado. Segundo ela, terapias multidisciplinares têm contribuído para o desenvolvimento das crianças. “O tratamento especializado é a única coisa que temos ao nível de desenvolvimento direcionado para eles”, disse.

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Fernando Filho e Izabelle, ambos com sete anos | Foto: Arquivo pessoal

Fernando passou a manter contato visual, apresentar melhora na coordenação motora e responder a comandos, além de frequentar mais ambientes sociais. Izabelle também apresentou avanços na comunicação e consegue frequentar o ensino regular, aliado a atividades de reforço e natação. Além disso, a mãe destaca que o caso do desenvolvimento da menina apresentou melhora significativa na memória e na inteligência como qualidades da garota.

Para garantir o acompanhamento, Marcielle afirma que deixou o trabalho para se dedicar integralmente aos filhos. Ao mesmo tempo, fez mudanças no lar para acomodar a sensibilidade das crianças, como a retirada da TV da sala. “Adaptamos o quarto para que ficasse da melhor forma para ele. Hoje colocamos o colchão no chão e retiramos o armário e o guarda-roupas do quarto.”

A fonoaudióloga Juliana Menezes, especialista em TEA, explica que as terapias são definidas a partir de avaliações individualizadas, que identificam as necessidades de cada criança. Segundo ela, o tratamento é adaptado à realidade do paciente e envolve também a participação da família.

De acordo com a especialista, métodos baseados em evidências científicas, como Jasper e DIR Floortime, trabalham aspectos como comunicação, linguagem, alimentação e desenvolvimento motor.

Fonoaudióloga Juliana Menezes | Foto: Arquivo pessoal

Menezes destaca ainda que a intervenção precoce é fundamental, especialmente nos primeiros anos de vida, período considerado crítico para o desenvolvimento neurológico. Segundo ela, a estimulação pode começar antes mesmo do diagnóstico definitivo.

A ideia é potencializar o desenvolvimento para que o paciente alcance maior autonomia e consiga participar da sociedade”, afirmou.

Para os pais, a especialista aponta que devem ficar atentos a sinais como isolamento, baixo contato ocular, atraso na fala ou no desenvolvimento motor, choro irritadiço e questões sensoriais. Estes são os primeiros indícios de TEA que podem ser percebidos na infância.

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