Defensoria pede R$ 1 milhão de Globo, CNN, Record e SBT por cobertura de tragédia em Itumbiara
24 fevereiro 2026 às 16h27

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A Defensoria Pública do Estado de Goiás ajuizou ação civil pública contra as emissoras Globo, CNN Brasil, Record e SBT, pedindo indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos. O órgão sustenta que reportagens exibidas pelas TVs teriam contribuído para a propagação de ataques virtuais contra Sarah Araújo, mãe das duas crianças assassinadas em Itumbiara.
De acordo com a ação, a veiculação de imagens em que Sarah aparece beijando um homem vídeo que, segundo o processo, teria sido encomendado pelo ex-marido Thales Machado a um detetive particular — ampliou o julgamento público nas redes sociais. A Defensoria argumenta que o conteúdo foi explorado de forma a reforçar uma narrativa de suposta traição, o que teria desencadeado um “linchamento virtual” contra a mãe das vítimas.
O caso envolve a morte de Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de 8, ocorrida na madrugada do último dia 12. Conforme as investigações, Thales Machado teria atirado contra os filhos dentro do condomínio onde a família residia e, em seguida, tirado a própria vida. Miguel morreu no local; Benício chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos no dia seguinte. A Polícia Civil, por meio do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Itumbiara, conduz o inquérito e afirma que não há indícios de participação de terceiros.
A Defensoria sustenta que Sarah já não mantinha relacionamento com o ex-marido à época do crime e que a divulgação do vídeo teria provocado hostilidade pública, inclusive durante o velório das crianças, quando ela precisou de escolta policial.
No pedido judicial, o órgão requer a retirada imediata das reportagens e de publicações consideradas ofensivas no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, além da divulgação de nota de retratação e do pagamento da indenização.
A tentativa de concessão de liminar para remoção urgente do conteúdo não foi acolhida pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), que entendeu não ser possível analisar o caso em caráter emergencial devido à complexidade jurídica da matéria. Assim, a ação seguirá tramitação regular.
Procuradas, Record e SBT não se manifestaram. A CNN Brasil informou que ainda não foi oficialmente notificada e declarou que não exibiu o vídeo citado na ação. A Globo afirmou que também não recebeu comunicação formal sobre o processo.
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