De Leopoldo de Bulhões a Janine Mello: veja quais goianos já ocuparam ministérios em Brasília
03 abril 2026 às 12h11

COMPARTILHAR
Mesmo sem estar entre os maiores colégios eleitorais do país, Goiás construiu, ao longo de mais de um século, uma presença contínua e relevante no núcleo de decisões do poder federal. Desde o início da República, com nomes como Leopoldo de Bulhões, até quadros contemporâneos que transitaram entre a política e a gestão técnica, como Henrique Meirelles, o estado tem projetado lideranças capazes de ocupar ministérios estratégicos e influenciar diretamente agendas centrais do país, da economia à articulação política e às políticas sociais.

Natural da então província de Goiás, Leopoldo de Bulhões nasceu em 1856 em uma família tradicional da política local e construiu trajetória ainda no Império, com atuação destacada na defesa do federalismo e da abolição da escravidão. Formado em Direito, foi deputado geral, participou da Assembleia Constituinte de 1890 e teve longa passagem pelo Senado, onde atuou em temas econômicos e fiscais. Tornou-se ministro da Fazenda nos governos de Rodrigues Alves e Nilo Peçanha, conduzindo reformas administrativas e financeiras em um período de consolidação da República.

Natural de Caiapônia, Alfredo Nasser teve atuação destacada no Congresso Nacional antes de chegar ao Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Foi deputado federal, vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e presidiu CPI que investigou irregularidades no Departamento Federal de Segurança Pública. Também se posicionou contra a chamada Emenda dos Conselheiros, defendida por Juscelino Kubitschek, e foi favorável à transferência da capital para Brasília. Durante a crise provocada pela renúncia de Jânio Quadros, em 1961, atuou em defesa da normalidade institucional. Assumiu o Ministério da Justiça no gabinete de Tancredo Neves, durante o governo de João Goulart, posicionando-se de forma crítica às Reformas de Base.

Entre as principais lideranças políticas de Goiás, Iris Rezende construiu uma das trajetórias mais longevas e influentes da política brasileira. Ele foi eleito prefeito de Goiânia pela primeira vez em 1966, tendo o mandato interrompido em 1969 pela ditadura militar. Décadas depois, retornaria ao comando da capital, exercendo novos mandatos entre 2005 e 2010 e entre 2017 e 2020.
No Executivo estadual, foi eleito governador de Goiás em 1982, assumindo em 1983, e novamente em 1990, com início do segundo mandato em 1991. Também teve passagem pelo Senado, consolidando sua projeção nacional.
No plano federal, ocupou dois ministérios estratégicos: o da Agricultura, no governo de José Sarney, e o da Justiça, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Ligado ao seu grupo político, o goianiense Ovídio de Angelis também integrou o primeiro escalão no governo de Fernando Henrique Cardoso. Ele comandou a Secretaria Especial de Políticas Regionais — estrutura que passou a ter status de ministério — e, na sequência, a Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano.

Outro nome de destaque é Henrique Santillo. Médico pediatra, nasceu em Ribeirão Preto (SP), mas mudou-se ainda criança para Anápolis, onde construiu sua trajetória política. Foi vereador, prefeito de Anápolis, deputado estadual, senador e governador de Goiás.
No plano federal, Santillo foi ministro da Saúde no governo de Itamar Franco, entre 1992 e 1994. Posteriormente, também atuou como secretário de Estado da Saúde em Goiás, no governo de Marconi Perillo, e foi indicado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, em 1999.

Ainda no processo de redemocratização, Goiás também esteve representado na estrutura federal voltada ao desenvolvimento urbano e ambiental. Natural de Jaraguá, Flávio Peixoto foi o primeiro titular da pasta entre 1985 e 1986, no governo Sarney.

Na área econômica, Henrique Meirelles, natural de Anápolis, ganhou projeção nacional tanto no setor público quanto na iniciativa privada. Foi o presidente mais longevo do Banco Central do Brasil, entre 2003 e 2010, durante os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, período em que sua gestão ficou associada à redução da inflação e à queda da taxa de juros. Posteriormente, assumiu o Ministério da Fazenda no governo de Michel Temer, entre 2016 e 2018, quando teve papel relevante na aprovação de medidas de ajuste fiscal e de iniciativas voltadas à ampliação da liberdade econômica. Também construiu carreira no mercado financeiro internacional e foi candidato à Presidência da República em 2018.

Natural de Goiânia, Alexandre Baldy construiu trajetória política e administrativa que o levou ao Ministério das Cidades no governo Michel Temer. Empresário e bacharel em Direito, foi secretário de Indústria e Comércio de Goiás, deputado federal e, à frente da pasta, teve atuação voltada à política habitacional, com destaque para a liberação de recursos ao programa Minha Casa, Minha Vida. Posteriormente, ocupou cargos como secretário em São Paulo e presidente da Agência Goiana de Habitação.

Outro nome contemporâneo é Carlos França, diplomata de carreira nascido em Goiânia, em 1964. Formado em Relações Internacionais e Direito pela Universidade de Brasília (UnB), ingressou no Instituto Rio Branco em 1992 e construiu trajetória no Itamaraty com passagens por Washington, Assunção e La Paz, onde atuou como ministro-conselheiro.
No governo de Jair Bolsonaro, assumiu a chefia do Cerimonial da Presidência da República e, posteriormente, a Assessoria Especial do presidente. Em março de 2021, foi nomeado ministro das Relações Exteriores, em um contexto de desafios diplomáticos e da pandemia de Covid-19.

Também goianiense, Olavo Noleto construiu carreira marcada pela atuação nos bastidores da articulação política e da comunicação institucional. Formado em Marketing pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, ocupa atualmente a função de secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República.
Ao longo da trajetória, foi secretário-executivo de Relações Institucionais da Presidência da República entre 2023 e 2025, além de ter sido número dois da pasta no governo Lula, ao lado do ministro Alexandre Padilha. Também exerceu funções estratégicas em outras gestões, como secretário-executivo de Comunicação Social no governo de Dilma Rousseff, secretário de Assuntos Federativos e integrante de conselhos de estatais, como a Transpetro e a EBC.

Diferentemente de muitos nomes que chegam ao primeiro escalão por trajetória eleitoral, Janine Mello construiu carreira técnica no serviço público. Natural de Anápolis, é formada em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), com mestrado e doutorado na área, e integra a carreira de especialista em políticas públicas e gestão governamental, com passagens por órgãos centrais da administração federal antes de assumir o ministério.
A presença desses nomes evidencia que Goiás, mesmo fora dos maiores colégios eleitorais do país, mantém protagonismo constante no primeiro escalão do governo federal, com lideranças que transitam entre a política tradicional e a gestão técnica.
Leia também: Veja quais são os partidos favoritos dos goianos na Câmara dos Deputados

