Puxando carroça. Era assim a vida da égua Chuva antes de ser adotada pelo Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer). Chuva vivia em Senador Canedo e foi vítima de maus-tratos pelo antigo tutor. Durante o episódio, moradores da região intervieram e acionaram a polícia. A égua foi encaminhada ao Centro de Zoonoses do município, onde recebeu atendimento veterinário e, após a conclusão de todos os trâmites legais, ganhou um novo destino.

Em parceria com a Cavalaria da Polícia Militar de Goiás (PM-GO), o Crer realizou todas as consultas necessárias para avaliar a saúde do animal. A multiprofissional de terapias de apoio do Crer, Karla Lorena Mendonça, explicou que, após um período de quarentena e reabilitação, Chuva foi levada para integrar a equipe de equoterapia da unidade.

“Como tem menos de um mês que ela chegou para nós, ela ainda não está em atendimento, pois está em processo de doma e de aceitação. O trabalho que ela realizava anteriormente não era com pacientes, então precisamos fazer todo esse preparo com ela”, explicou Karla em entrevista ao Jornal Opção.

Chuva é uma égua jovem, com aproximadamente quatro anos de idade. Seu nome foi escolhido por meio de uma enquete realizada pelos próprios funcionários e pacientes do Crer. A inspiração vem da animação infantil Spirit – O Corcel Indomável, na qual uma das personagens principais também se chama Chuva e simboliza liberdade e superação.

Karla relata ainda que o animal vem apresentando boas condições físicas e comportamentais, mostrando-se cada dia mais apta a ser inserida nas atividades de equoterapia com os pacientes do Crer. “Ela vai ser muito bem cuidada aqui. Inclusive, melhorou muito. Teve ganho de peso, porque estava abaixo do peso, e tinha algumas marcas de agressão. Tudo isso foi tratado junto com a polícia, e hoje ela permanece conosco na equoterapia”, afirmou.

Apesar dos avanços, a égua ainda não está atuando diretamente nos atendimentos. Chuva continua sendo acompanhada e passa pelo processo de adaptação conhecido como doma, para que compreenda como funcionará sua nova rotina de trabalho. “Ela permanece nesse picadeiro, onde é realizado todo o trabalho de doma, casqueamento, banho e alimentação. Os auxiliares de equoterapia fazem o processo de dessensibilização para que ela aceite a montaria de forma tranquila”, explicou Karla.

Apesar disso, a égua ainda não está atuando na equoterapia. Ela continua sendo cuidada e passando pelo processo de adaptação conhecido como doma, para que entenda como funcionará seu trabalho. “Ela fica nesse picadeiro e o pessoal faz todo o trabalho de doma, casqueamento, banho e alimentação. Eu tenho os auxiliares de equoterapia para fazer esse de dessensibilização para que ela já aceite a montaria.”

A expectativa é que, em breve, Chuva esteja completamente adaptada e pronta para auxiliar nos atendimentos de equoterapia, transformando sua própria história de dor em um instrumento de cuidado, acolhimento e reabilitação para outras pessoas.

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