Criminosos usam drone com granada para tentar matar empresário em Itaberaí
04 fevereiro 2026 às 14h16

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*Colaboração de João Paulo Alexandre
A Polícia Civil do Estado de Goiás, por meio do Grupo Antissequestro (GAS/DEIC) e do Grupo de Investigação de Homicídios de Itaberaí (GIH/Itaberaí), deflagrou a operação “Cobrança Final” para desarticular um grupo criminoso especializado em extorsões violentas, responsável por uma tentativa de homicídio contra um empresário e sua família, no município de Itaberaí, mediante o uso de granada de uso militar acoplada a drone.
De acordo com as investigações, os suspeitos atuavam como executores diretos do atentado e já vinham realizando cobranças ilegais contra a vítima há cerca de dois meses, utilizando perfis falsos no Instagram e números de WhatsApp registrados em CPFs de terceiros. As ameaças, inicialmente veladas, tornaram-se progressivamente mais graves, alcançando não apenas o empresário, mas também sua esposa e filhos adolescentes.
Segundo o delegado Samuel Moura, do Grupo Antissequestro da DEIC, a motivação do crime está relacionada a um desacordo comercial envolvendo a venda de sementes, cujo valor original da dívida girava em torno de R$ 1,5 milhão. Essa dívida teria sido repassada a um grupo criminoso, que passou a exigir montante quase duas vezes maior, mediante intimidação e violência.
Nas madrugadas dos dias 15 e 17 de janeiro de 2026, os investigados tentaram executar o plano homicida utilizando dois drones, sendo um deles equipado com uma granada fragmentária do tipo M67, direcionada à residência da vítima. O ataque não se consumou porque o drone colidiu com o telhado do imóvel, impedindo o acionamento do pino do artefato explosivo.
O delegado Ricardo Ramos Nogueira, responsável pelas investigações em Itaberaí, explicou que a granada precisou ser neutralizada por equipe especializada do BOPE, diante do alto risco à população.
“Trata-se de um artefato de uso militar, com poder letal elevado, capaz de causar mortes num raio de até 15 metros. A não explosão ocorreu por circunstâncias totalmente alheias à vontade dos autores”, afirmou.
Durante o avanço das investigações, três suspeitos foram presos nos municípios de Primavera do Leste e Canarana, no Mato Grosso. Dois deles foram capturados quando retornavam do Paraguai, em posse de uma nova granada e uma arma de fogo, o que indicava a iminência de uma nova tentativa de execução.
Os presos responderão pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado (motivo torpe e emprego de artefato explosivo), extorsão qualificada e posse de artefato explosivo de uso restrito. As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos, inclusive o suposto credor original da dívida, que ainda não é alvo direto da operação.
A Polícia Civil destacou que a ação representa um caso inédito no estado de Goiás, tanto pelo uso de drone como meio de ataque quanto pelo emprego de explosivo de uso militar, demonstrando o elevado grau de periculosidade do grupo criminoso.
Os investigados responderão pelos crimes de:
- Tentativa de homicídio qualificado (motivo torpe e emprego de artefato explosivo);
- Extorsão qualificada;
- Posse e porte de artefato explosivo de uso restrito.

