CPMI do INSS: veja como votaram os deputados na rejeição do relatório
28 março 2026 às 13h16

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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS encerrou seus trabalhos na madrugada deste sábado, 28, sem aprovar um relatório final. O parecer apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) foi rejeitado por 19 votos a 12.
A rejeição reuniu parlamentares da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes do Centrão. Já os votos favoráveis ao relatório partiram majoritariamente da oposição.
O texto elaborado por Alfredo Gaspar recomendava o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre parlamentares, ex-ministros, dirigentes de estatais e representantes de entidades associativas. Entre os citados estava o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República.
A amplitude da lista e o alcance político das recomendações foram apontados por governistas como um dos motivos para a rejeição. Já parlamentares da oposição afirmaram que o relatório refletia o conjunto de provas reunidas ao longo das investigações.
A votação da CPMI reproduziu o atual desenho político do Congresso. De um lado, governistas e parte do Centrão atuaram para barrar o relatório. De outro, a oposição se alinhou em defesa da aprovação do texto.
Votaram a favor do relatório (12):
- Senador Magno Malta (PL-ES)
- Senador Marcio Bittar (PL-AC)
- Senador Izalci Lucas (PL-DF)
- Senador Eduardo Girão (Novo-CE)
- Senador Rogério Marinho (PL-RN)
- Senadora Damares Alves (Republicanos-DF)
- Deputada Coronel Fernanda (PL-MT)
- Deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO)
- Deputado Marcel van Hattem (Novo-RS)
- Deputado e relator Alfredo Gaspar (UB-AL)
- Deputada Bia Kicis (PL-DF)
- Deputada Adriana Ventura (Novo-SP).
Votaram contra o relatório (19):
- Senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS)
- Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
- Senador Jaques Wagner (PT-BA)
- Senadora Eliziane Gama (PSD-MA)
- Senador Humberto Costa (PT-PE)
- Senadora Jussara Lima (PSD-PI)
- Senador Rogério Carvalho (PT-SE)
- Senadora Augusta Brito (PT-CE)
- Senadora Teresa Leitão (PT-PE)
- Deputada Meire Serafim (UB-AC)
- Deputado Átila Lira (PP-PI)
- Deputado Orlando Silva (PCdoB-SP)
- Deputado Rogério Correia (PT-MG)
- Deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO)
- Deputado Alencar Santana (PT-SP)
- Deputado Paulo Pimenta (PT-RS)
- Deputado Lindbergh Farias (PT-RJ)
- Deputado Neto Carletto (Avante-BA)
- Deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP).
Sessão longa e clima de tensão
A reunião que culminou na rejeição do relatório durou mais de 15 horas. Iniciada ainda na manhã de sexta-feira, 27, a sessão foi marcada por embates entre parlamentares. Logo no início, houve troca de acusações entre o relator Alfredo Gaspar e o deputado Lindbergh Farias.
Com a derrubada do parecer e sem consenso para votação de um texto alternativo, a CPMI chega ao fim sem um relatório aprovado, o que, na prática, reduz o impacto institucional das investigações.
O presidente da comissão, Carlos Viana, decidiu não submeter à votação um relatório paralelo elaborado por governistas, que incluía pedidos de indiciamento, entre eles o do senador Flávio Bolsonaro.
Ainda assim, uma cópia do relatório de Alfredo Gaspar será encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), à Procuradoria-Geral da República (PGR) e a órgãos de controle.
Criada em 2025, a CPMI do INSS teve como foco apurar descontos indevidos em benefícios previdenciários, especialmente cobranças feitas por entidades associativas sem autorização de aposentados e pensionistas.
As suspeitas foram reforçadas por investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, que apontaram um esquema bilionário. Ao longo de cerca de seis meses, a comissão ouviu servidores, especialistas, representantes de entidades e beneficiários prejudicados, além de aprovar quebras de sigilo e reunir um amplo conjunto documental.
Nas semanas finais, a CPMI enfrentou um impasse sobre a prorrogação dos trabalhos. Aliados do relator defenderam a extensão do prazo para conclusão do relatório, mas a questão foi levada ao STF.
A Corte decidiu contra a prorrogação, entendendo que a Constituição assegura a criação de CPIs por minorias parlamentares, mas não garante automaticamente a extensão de seus prazos, o que contribuiu para o encerramento da comissão sem um desfecho formal.

