Contato com água de enchente pode causar leptospirose e hepatite A
24 fevereiro 2026 às 16h02

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As enchentes que atingem áreas urbanas e rurais, sobretudo durante o período chuvoso, não provocam apenas prejuízos materiais. O contato com a água contaminada pode expor a população a uma série de doenças infecciosas, algumas com potencial de gravidade.
Especialistas alertam para a necessidade de atenção imediata após a exposição. O médico infectologista Guilherme August afirma que a água das inundações favorece a transmissão de agentes causadores de doenças.
“As mais frequentes são leptospirose, hepatite A, gastroenterites infecciosas, tétano, infecções de pele e tecidos moles, além de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya, que tendem a aumentar após enchentes devido à proliferação do mosquito”, diz.
Segundo ele, o risco está relacionado à composição da água acumulada nas ruas e residências. “Essa água é considerada altamente contaminada: mistura esgoto, urina de roedores, lixo, produtos químicos e microrganismos. Pequenas feridas na pele ou contato com mucosas já são suficientes para permitir a entrada desses agentes no organismo”, explica.
Entre as doenças associadas a enchentes, a leptospirose é apontada como a principal ameaça. A infecção é transmitida pelo contato com água ou lama contaminadas pela urina de ratos. “Ela pode evoluir rapidamente para quadros graves, com comprometimento dos rins, hemorragias pulmonares e risco de morte, se não for tratada precocemente”, alerta o infectologista.
Os sintomas iniciais podem ser confundidos com os de outras infecções virais. “Geralmente incluem febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, náuseas, vômitos, diarreia, olhos avermelhados e cansaço. No início, pode parecer apenas uma gripe mais forte”, afirma. O período entre a exposição e o surgimento dos sinais varia de dois a 30 dias, sendo mais comum entre sete e 14 dias.
Grupos mais vulneráveis e medidas imediatas
De acordo com o especialista, alguns grupos apresentam maior risco de complicações: crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas ou com imunidade comprometida, além de moradores que permanecem em áreas alagadas ou participam da limpeza sem proteção adequada.
A principal recomendação para quem teve contato com água de enchente é adotar medidas imediatas de higiene. “É importante lavar o corpo com água limpa e sabão o quanto antes, higienizar ferimentos com antisséptico, trocar roupas molhadas e observar qualquer sintoma por pelo menos 30 dias. Qualquer febre nesse período deve ser investigada”, orienta.
Durante a limpeza de imóveis atingidos, o uso de equipamentos de proteção é considerado essencial. “É necessário usar luvas, botas e, se possível, máscara. A limpeza deve ser feita com água e sabão, seguida de desinfecção com solução de água sanitária. Colchões e estofados muito contaminados geralmente precisam ser descartados”, afirma.
Também há alerta em relação ao consumo de água e alimentos. “Qualquer alimento que teve contato com a água da enchente deve ser descartado, mesmo que esteja embalado. A água só deve ser consumida se for potável ou previamente fervida ou tratada”, explica.
Por fim, o infectologista reforça que alguns sinais exigem atendimento imediato, como febre persistente, dor muscular intensa, vômitos repetidos, falta de ar, olhos ou pele amarelados, urina escura ou sangramentos. “Esses sintomas podem indicar formas mais graves de infecção e precisam de avaliação médica urgente”, conclui.
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