Com o início do prazo de entrega do Imposto de Renda 2026, cresce a busca dos contribuintes por formas de pagar menos imposto e aumentar a restituição. No entanto, muitos brasileiros se frustram ao perceber que, mesmo com mais gastos ao longo do ano, o valor a receber não aumentou.

A explicação está menos no volume de despesas e mais na forma como elas são declaradas. Em um cenário sem grandes mudanças nas regras do IR, a diferença entre pagar menos ou receber mais restituição está nos detalhes, especialmente no uso correto das deduções permitidas pela Receita Federal.

Entre as principais estratégias para aumentar a restituição ou reduzir o imposto devido, algumas deduções continuam sendo fundamentais. As despesas médicas seguem como o principal fator de impacto na restituição do IR, pois não possuem limite de abatimento.

Podem ser incluídos consultas, exames e internações; planos de saúde e tratamentos com profissionais habilitados. Por outro lado, esse tipo de gasto é um dos mais fiscalizados pela Receita. Qualquer inconsistência pode levar o contribuinte à malha fina.

Os gastos com educação também podem ser deduzidos, mas possuem limite anual e restrições. São permitidos escola e faculdade; pós-graduação reconhecida. Não entram na declaração cursos de idiomas, cursos livres e treinamentos.

Esse é um erro comum que pode reduzir a restituição. A contribuição previdenciária é uma das estratégias mais eficientes de planejamento tributário:

INSS: dedução integral
PGBL: dedução de até 12% da renda tributável

Dependentes no Imposto de Renda

Incluir dependentes pode gerar desconto no imposto, mas exige atenção. Isso porque a renda do dependente também entra no cálculo. Em alguns casos, a inclusão pode aumentar o imposto devido, em vez de reduzir.

A escolha entre declaração simplificada ou completa pode impactar diretamente o valor da restituição. Modelo simplificado: desconto padrão de 20%. Modelo completo: permite deduções detalhadas

O ideal é sempre simular os dois modelos antes de enviar a declaração. Apesar da ampliação da faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil, a mudança não impacta diretamente a declaração de 2026, que considera os rendimentos de 2025.

Outra novidade é o chamado “cashback do IR”, que prevê restituição automática de até R$ 1.000 para cerca de 4 milhões de brasileiros que tiveram imposto retido na fonte, mesmo sem obrigatoriedade de declarar. O pagamento será feito via Pix.

Mesmo com mais despesas, o valor da restituição pode cair por diversos fatores, como aumento da renda tributável, mudança de faixa de alíquota, limites nas deduções (como educação) e escolha incorreta do modelo de declaração.

Especialistas são unânimes: não existe fórmula mágica para pagar menos imposto. O segredo está no planejamento ao longo do ano. Boas práticas incluem guardar comprovantes de despesas, acompanhar gastos dedutíveis, planejar contribuições ao PGBL, revisar a inclusão de dependentes e considerar doações incentivadas.

Quanto mais organizado for o contribuinte, maiores são as chances de reduzir o imposto devido ou aumentar a restituição.

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