Comentarista pró-Trump diz que pode ser alvo de investigação após críticas à guerra contra o Irã
16 março 2026 às 17h43

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O comentarista conservador Tucker Carlson afirmou que pode se tornar alvo de uma ofensiva judicial nos Estados Unidos depois de criticar publicamente a guerra contra o Irã. Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-apresentador da Fox News disse que a CIA teria acessado suas mensagens e estaria tentando encaminhar uma acusação ao Departamento de Justiça com base na suspeita de que ele atuaria politicamente em favor de um governo estrangeiro.
Carlson rejeitou a hipótese e afirmou que nunca trabalhou para Teerã nem recebeu dinheiro de outro país. Segundo ele, o contato com fontes estrangeiras faz parte da atividade jornalística e não pode ser confundido com atuação em nome de interesses externos. Na gravação, sustentou que a movimentação teria motivação política e seria uma reação às posições que passou a defender sobre a guerra e sobre o papel de Israel no conflito.
A declaração ocorre depois de um rompimento público com a linha adotada pela Casa Branca na operação militar contra o Irã. Carlson atacou a ofensiva e classificou os bombardeios em termos duros, além de afirmar que a guerra estaria sendo conduzida em benefício de Israel. As falas ampliaram uma fissura já perceptível dentro do campo conservador americano, especialmente entre setores que apoiaram Donald Trump, mas passaram a divergir sobre política externa.
A resposta veio do próprio presidente dos Estados Unidos. Em entrevista anterior, Trump afirmou que Carlson “se perdeu” e disse que ele já não representa o movimento MAGA, sinalizando um distanciamento político de um aliado que, até pouco tempo atrás, ocupava posição central no ecossistema da direita trumpista.
A relação entre os dois vinha de anos. Carlson se transformou em uma das vozes mais influentes do conservadorismo nos EUA e foi peça importante na comunicação do trumpismo, inclusive ao servir de plataforma para Trump em momentos estratégicos da campanha republicana. Agora, porém, a guerra contra o Irã alterou esse alinhamento e expôs um embate entre o discurso tradicionalmente intervencionista do governo e a ala que rejeita o envolvimento militar americano em novos conflitos externos.
Mais do que um ataque pessoal, a fala de Carlson revela o tamanho do conflito interno na direita americana. Ao acusar órgãos de inteligência de tentarem silenciá-lo, ele se apresenta não apenas como crítico da guerra, mas como alvo do aparato estatal, uma narrativa que dialoga diretamente com a base conservadora desconfiada de Washington e das instituições federais.
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