Em entrevista concedida aos jornalistas Daniela Lima e Fábio Zanini, do UOL, em parceria com a Folha de S. Paulo, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), defendeu seu nome como o único capaz de romper a polarização no Brasil que, segundo ele, “tornou-se projeto político de quem quer a polarização”.

Na entrevista, concedida na noite dessa segunda-feira, 6, Caiado atacou as gestões petistas, incluindo a atual, e disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu partido fizeram com que o país “deixasse de ser referência”.

“O PT governou o país por 18 anos. O que o PT trouxe foi realmente algo que decepcionou muito o brasileiro. O Brasil deixou de ser referência internacional, deixou de crescer, deu espaço para a criminalidade e o narcotráfico. Um partido que acumula uma frequência de escândalos, corrupção, enriquecimento ilícito e baixa qualidade em educação e segurança pública, sem dar ao cidadão o mínimo de condições de desenvolver sua própria atividade”, avaliou.

O pessedista, no entanto, também não poupou críticas à gestão de Jair Bolsonaro, figura política à qual se considera alinhado ideologicamente e que banca, hoje, seu filho Flávio Bolsonaro como pré-candidato a presidente e, automaticamente, adversário de Caiado.

Sem citar o nome do filho do ex-presidente da República, mas fazendo referência indireta ao histórico de questionamentos do clã Bolsonaro ao sistema eleitoral brasileiro e aos métodos científicos de prevenção durante a pandemia do coronavírus, Caiado se disse um “entusiasta do debate” e um “democrata na essência”.

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“Eu não contesto resultado. Resultado de urna eu sempre respeitei e acolhi […]. Você nunca me viu contestando voto, nunca me viu contestando a ciência. Você me viu, não com discursos, mas com ações para garantir a segurança pública no meu estado. Me viu com ações, tendo a educação em primeiro lugar no Ideb”, destacou.

O ex-governador ainda alfinetou: “O PT teve cinco mandatos. Estava no quarto e perdeu para o PL. Se o PL tivesse feito uma boa gestão, o PT não teria sido eleito em 2022”.

Caiado também citou a necessidade de que o candidato que enfrentará o PT em um possível segundo turno disponha de bagagem política suficiente para dirigir o país, caso seja eleito. “Ganhar do PT no segundo turno, qualquer um que entrar vai ganhar. Mas esse vai governar? Ele tem autoridade moral para governar, sabe governar, conhece a liturgia do cargo? Vai aprender na cadeira ou já sabe como exercer a função de presidente?”, questionou.

Essa não é a primeira vez que o ex-governador de Goiás aponta a experiência política e de gestão, ausente no caso de Flávio Bolsonaro, que foi deputado estadual e hoje é senador, como um diferencial para a cadeira no Palácio do Planalto.

Em entrevistas e declarações feitas desde que foi confirmado pré-candidato pelo PSD, o médico goiano tem destacado que a falta desses atributos pode transformar a Presidência da República na aventura de uma figura que vai “aprender a governar na cadeira”.

Ao descartar a pecha de “terceira via” e partir para o ataque, Caiado sinaliza que mira tanto o eleitorado de centro, que tende a votar em Lula, quanto o eleitor bolsonarista que vota em Flávio, mas que pode dar abertura a um candidato de direita com bagagem de gestão.

“Falta coragem”

Na entrevista concedida ontem, Ronaldo Caiado também destacou os baixos índices de criminalidade em Goiás, obtidos em sua gestão, e garantiu ser capaz de replicar os bons resultados em todo o país.

Para ele, o atributo que falta ao governante para atingir tais números é “coragem”. “O Estado é muito maior que o crime. Com Caiado presidente da República, posso dizer a você que penitenciária no Brasil vai voltar a ser penitenciária. Traficante não vai falar mais com o meio externo, não vai ter mais visita íntima, não vai ter mais audiência sigilosa com advogado. Não vai ter droga dentro das penitenciárias, não vai ter arma”, declarou.

Palanque dividido?

Questionado sobre a suposta falta de apoio ao seu projeto por parte do próprio partido, o PSD, Caiado minimizou a situação e enfatizou que cada um monta seu próprio palanque e que nunca teve tanto apoio de uma legenda como o que está tendo da sigla liderada por Gilberto Kassab.

Sobre a situação em São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, com mais de 34,4 milhões de eleitores, o ex-governador insinuou que pode ter espaço no palanque de Tarcísio de Freitas, que já declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

“A maior estrutura que o PSD tem está aqui, em São Paulo. Mais de 209 prefeitos. Essa estrutura vai para a campanha do Tarcísio. E, lógico, o Tarcísio terá a candidatura do Flávio e terá a nossa candidatura. Qual a incongruência? O palanque está aberto. Ele já declarou que vai apoiar o Flávio, o que é uma questão pessoal dele. Mas não estamos dividindo uma campanha em São Paulo”, concluiu.