As chuvas intensas registradas nesta quarta-feira, 7, voltaram a provocar alagamentos e interdições viárias em diferentes localizações de Goiânia. A região do Lago das Rosas, por exemplo, registrou mais de 85mm de chuva em menos de quatro horas. Todos esses transtornos e riscos, que os moradores da capital vem passando, evidenciam desafios históricos e exigem a necessidade de soluções estruturais de longo prazo.

Segundo a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET), três pontos da cidade precisaram ser interditados em razão da elevação do nível do Córrego Botafogo e devido aos alagamentos. As interdições tiveram caráter preventivo para garantir a segurança dos motoristas e pedestres. A orientação é para que os condutores evitem essas regiões e utilizem rotas alternativas.

Para especialistas em arborização urbana, os episódios recorrentes do período chuvoso demonstram a relevância do planejamento contínuo da infraestrutura verde como parte das estratégias de drenagem urbana. Goiânia, reconhecida como uma das capitais mais arborizadas do país, possui potencial para ampliar ainda mais os benefícios ambientais da arborização, quando associada a políticas públicas permanentes e baseadas em critérios técnicos.

Além das interdições, registros compartilhados nas redes sociais mostram vias tomadas pela água. Os alagamentos reforçam a importância de medidas preventivas e integradas para mitigar os impactos das chuvas intensas sobre a mobilidade urbana e a segurança da população.

Entre as propostas defendidas por engenheiros agrônomos e pesquisadores está a criação de uma estrutura administrativa específica para o planejamento, manejo e manutenção da vegetação urbana, nos moldes de uma Secretaria de Parques e Jardins. A medida permitiria integrar ações hoje distribuídas entre diferentes áreas, como podas, substituição de árvores, manutenção de gramados e manejo paisagístico, sob diretrizes técnicas unificadas e de longo prazo.

O engenheiro agrônomo Fernando Barnabé, presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (AEAGO), destaca que o manejo adequado da arborização contribui diretamente para a redução de impactos causados pelas chuvas.

“Quando bem planejada, a arborização urbana atua como aliada da drenagem, favorecendo a infiltração da água no solo e reduzindo enxurradas e alagamentos. O objetivo é somar esforços técnicos às políticas públicas já existentes”, afirma.

Na avaliação do engenheiro agrônomo, Antônio Pasqualetto, professor universitário e pesquisador na área, decisões técnicas consistentes ao longo do tempo fortalecem a resiliência urbana.

“A escolha adequada de espécies, especialmente nativas do Cerrado, aumenta a estabilidade das árvores, melhora a absorção da água da chuva e contribui para o equilíbrio térmico da cidade. São soluções que se constroem de forma gradual e contínua”, explica.

Especialistas defendem a elaboração e atualização permanente de um Plano Diretor de Arborização Urbana, com mapeamento digital das árvores, zoneamento de espécies e protocolos técnicos para avaliação preventiva de riscos. Também são apontadas como estratégicas ações de educação ambiental e orientações técnicas para o plantio em áreas públicas e privadas.

A arborização urbana contribui para a redução de alagamentos e oferece benefícios amplos. São eles: sombreamento, redução da temperatura, melhoria da qualidade do ar, proteção do solo e promoção da biodiversidade. Tudo isso, impacta positivamente a saúde pública e o conforto térmico da população.

Para Barnabé, fortalecer o planejamento da arborização é uma oportunidade de avançar na construção de uma cidade mais resiliente. “Goiânia já possui uma vocação ambiental reconhecida. Com planejamento técnico contínuo e diálogo entre poder público e entidades especializadas, é possível ampliar esses benefícios e preparar a cidade para eventos climáticos cada vez mais intensos”, afirma.

Recomendações da AEAGO

A Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (AEAGO) sugere ao poder público a criação de um comitê técnico permanente de arborização urbana, com participação de especialistas e órgãos públicos, como uma primeira medida. Em seguida, definir critérios técnicos para o plantio de novas espécies, considerando porte, raízes e compatibilidade com a infraestrutura urbana e criar e executar um Plano Municipal de Arborização mais atualizado.

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Cidade de Goiânia | Foto: Guilherme Alves/ Jornal Opção

Os especialistas indicam também a implantação de um programa contínuo de manejo arbóreo, com manutenção preventiva e avaliações periódicas. Ainda a ampliação da arborização em áreas com baixa cobertura verde e altas temperaturas. O incentivo ao plantio responsável em áreas privadas e o uso de ferramentas de georreferenciamento para monitoramento da saúde e estabilidade das árvores.

Lago das Rosas  

A chuva registrada na tarde de quarta-feira, 7, teve duração média de 44 minutos, com volumes expressivos. A Região Oeste concentrou os maiores acumulados, com destaque para o Lago das Rosas, onde foram registrados 85,4 milímetros.

 Outras áreas também tiveram volumes significativos de chuva, como o Centro (59,2 mm), o Setor Goiânia 2, na Região Norte (53 mm), o Jardim América, na Região Sul (49,4 mm), e o Morro da Serrinha (41,8 mm). Em contrapartida, bairros de outras regiões registraram baixos índices de precipitação, como a ETA Mauro Borges, com apenas 0,6 mm.

Comurg retira 12 toneladas de lama da Marginal Botafogo

A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), por meio de nota, afirmou que vai manter equipes de prontidão nesta quinta-feira,8, para o atendimento de pontos críticos depois do forte temporal que atingiu a cidade. Entre os pontos da operação, espalhados por toda a cidade, a Marginal Botafogo teve concentração de 20 servidores, que fizeram a limpeza da via. Foram retiradas de 12 toneladas de lama.

Operação da Comurg | Foto: Divulgação

Além disso, o tráfego foi liberado e a remoção de entulhos também foi concluída na Vila Roriz, além do Córrego Taquaral, no Conjunto Vera Cruz, e na região de Campinas. As pontes do Residencial Goiânia Viva e da Avenida João Braz, no Setor Vera Cruz, apresentam condições seguras de trânsito depois da inspeção técnica.

Quatro equipes responsáveis por poda de árvores seguem com o cronograma de atividades ordinárias, mas permanecem em alerta para eventuais ocorrências. O cronograma de serviços prevê a continuidade das ações de varrição e coleta de resíduos em toda a cidade logo nas primeiras horas da madrugada desta quinta-feira, 8.

A população dispõe de um canal direto para o envio de informações ou solicitações sobre possíveis ocorrências que demandem atendimento. O contato pode ser efetuado através do aplicativo GYN 24H e a ocorrência é encaminhada sem intermédio para a equipe operacional responsável.

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