Cerca de 30% dos cursos de Medicina são punidos no Enamed; Goiás tem instituições com nota 1 e 2
19 janeiro 2026 às 18h19

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Levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), nesta segunda-feira, 19, mostra que parte dos cursos de Medicina ofertados em Goiás obteve notas consideradas insatisfatórias e pode sofrer sanções do Ministério da Educação (MEC), como restrições no Fies e bloqueio para abertura de novas vagas.
Em todo o país, mais de 100 cursos receberam conceitos 1 ou 2, faixa que representa desempenho abaixo do mínimo esperado. Dos 351 cursos avaliados, cerca de 30% ficaram nesse patamar. Em Goiás, embora universidades federais e algumas instituições tradicionais tenham alcançado notas 4, há um conjunto expressivo de faculdades privadas e centros universitários com desempenho baixo.
O Enamed é aplicado anualmente para avaliar tanto o desempenho dos estudantes quanto a qualidade da formação médica. Nesta edição, participaram aproximadamente 89 mil alunos. Entre os concluintes, apenas 67% atingiram o nível considerado “proficiente” pelo Inep, enquanto cerca de 13 mil não demonstraram conhecimento suficiente.
No recorte nacional, 24 cursos ficaram com conceito 1, o mais baixo da escala, e outros 83 receberam conceito 2. A análise por tipo de instituição revela disparidades significativas: as piores notas se concentram em cursos de instituições públicas municipais e privadas com fins lucrativos. Já os melhores resultados aparecem majoritariamente em universidades federais e estaduais.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, apenas 99 dos 107 cursos mal avaliados sofrerão penalidades diretas, uma vez que instituições estaduais e municipais não estão sob gestão direta do MEC. As sanções variam conforme a nota: cursos com conceito 1 terão suspensão total de novos ingressos; os com conceito 2 poderão sofrer redução de vagas e ficar impedidos de acessar programas federais.
Enquanto universidades como Universidade Federal de Goiás, Universidade Federal de Catalão e Universidade Federal de Jataí alcançaram conceito 4, outros cursos ficaram nas faixas mais baixas, o que pode impactar diretamente a oferta de vagas e o acesso de estudantes a financiamento estudantil.
A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) informou que acompanha a divulgação dos resultados e afirmou que análises preliminares apontam divergências entre dados apresentados anteriormente e os números finais. A entidade aguarda esclarecimentos técnicos do MEC e do Inep antes de uma posição definitiva.
Ao Jornal Opção, o presidente do Cremego, Rafael Cardoso Martinez, afirmou que, embora as punições sejam definidas exclusivamente pelo Ministério da Educação, todas as faculdades que obtiveram notas 1 e 2 estão sujeitas a sanções. “Todas as faculdades que têm nota 1 e 2 são passíveis de punição das mais diversas: não ter Fies, não poder abrir novas vagas, diminuir a quantidade de vagas”, explicou.
Segundo Martinez, o cenário revela um problema estrutural. “Isso mostra o que a gente já vem falando há certo tempo: faculdades foram abertas a toque de caixa, indiscriminadamente, sem preparo técnico, teórico, sem corpo docente estruturado. O resultado só confirma isso”, afirmou.
O presidente do Cremego disse, ainda, que o desempenho ruim reforça a defesa, feita pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), da criação de um exame nacional de proficiência para médicos recém-formados. “Se as notas estão baixas, a formação não está boa. A gente precisa avaliar o aluno que está se formando, para garantir que ele tenha condições de exercer a medicina e, assim, proteger a sociedade”, disse.
Ele afirmou que o Cremego e o CFM não participam do processo de autorização de novos cursos. “A abertura de escolas médicas é toda via MEC ou via judicial. Nós não somos consultados”, explicou. Ele acrescentou que, com uma nova resolução do CFM, os conselhos regionais poderão intensificar visitas para avaliar campos de estágio, mas a avaliação institucional segue sendo responsabilidade do MEC.
“Hoje, temos notas 4 e 3, mas também um número relevante de notas 2 e 1, que são as mais complicadas. Isso exige uma reflexão profunda sobre o modelo de expansão do ensino médico no país”, completou.
O Jornal Opção tentou contato com o Ministério da Educação (MEC) mas não obteve resposta até o fechamento dessa matéria. O espaço segue aberto para manifestações..
Cursos de Medicina em Goiás com nota abaixo de 3 no Enade
- Centro Universitário de Goiatuba – Goiatuba (nota 1)
- Centro Universitário Alfredo Nasser – Aparecida de Goiânia (nota 1)
- Universidade de Rio Verde – Goianésia (nota 1)
- Universidade de Rio Verde – Formosa (nota 1)
- Faculdade Zarns – Itumbiara (nota 1)
- Universidade de Rio Verde – Aparecida de Goiânia (nota 2)
- Universidade de Rio Verde – Rio Verde (nota 2)
- Faculdade Morgana Potrich – Mineiros (nota 2)
- Centro Universitário de Mineiros – Trindade (nota 2)
- Centro Universitário de Mineiros – Mineiros (nota 2)
Cursos de Medicina em Goiás com nota acima de 2 no Enade
- Universidade Estadual de Goiás (UEG) – Itumbiara (nota 4)
- UniEVANGÉLICA – Anápolis (nota 4)
- Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) – Goiânia (nota 3)
- Universidade Federal de Goiás (UFG) – Goiânia (nota 4)
- Universidade Federal de Catalão (UFCAT) – Catalão (nota 4)
- Universidade Federal de Jataí (UFJ) – Jataí (nota 4)
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