O secretário municipal de Eficiência, Fernando Antônio Peternella, afirmou que a Prefeitura de Goiânia não pretende remover moradores que ocupam a chamada Favela do Vietnã, no Setor Norte Ferroviário, mas reforçou que estruturas abandonadas e em ruínas erguidas em Área de Preservação Permanente (APP) serão demolidas por representarem risco iminente à segurança e ao meio ambiente.

Em entrevista, Peternella sustenta que a prioridade do município é eliminar imóveis sem condições de uso — muitos deles utilizados como esconderijo por criminosos e usuários de drogas — e conter o avanço de construções irregulares às margens do Córrego Capim Puba. “Não vamos mexer com quem mora ali. O foco são ruínas, casas sem parede, sem telhado, locais que colocam a vida das pessoas em risco”, declarou.

Segundo o secretário, laudos da Defesa Civil apontam perigo real de desabamento, sobretudo em imóveis construídos a poucos metros do curso d’água. A umidade constante, associada à precariedade das edificações, teria comprometido colunas e paredes. “Aquilo pode ruir a qualquer momento. É uma questão de segurança pública e também de dignidade humana”, afirmou.

Peternella também rebate críticas sobre supostas remoções forçadas. De acordo com ele, equipes da assistência social estiveram no local oferecendo alternativas, como programas habitacionais e encaminhamentos sociais, para moradores que desejarem deixar a área. “Ninguém será retirado de forma arbitrária”, garantiu.

Além das ruínas, há imóveis particulares desabitados na região, entre eles um antigo hotel às margens da Avenida Goiás. Nesses casos, a prefeitura deve notificar os proprietários para que realizem a demolição. Se não houver providência, o município executará o serviço e lançará os custos no IPTU do imóvel.

O secretário reconhece que a área se tornou um ponto sensível do ponto de vista da segurança. “Quem comete crime na região corre para lá para se esconder. Parece cenário de filme de terror. É perigoso até para as forças de segurança entrarem”, afirmou, acrescentando que a presença de estruturas abandonadas favorece a criminalidade.

Após a retirada das ruínas, a prefeitura planeja uma intervenção ambiental. A Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA) ficará responsável pelo replantio de espécies nativas e pela recuperação da APP, além da limpeza do local para evitar focos de dengue e chikungunya.

“A ideia é interromper esse ciclo: degradação ambiental, insegurança e abandono. Não é uma ação contra moradores, é uma ação contra o risco”, concluiu Peternella.

O local está com muito lixo | Foto: Reprodução/Redes Sociais

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