Cemitério de 2 mil anos no Vietnã tem crânios com dentes escurecidos
02 março 2026 às 19h11

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Uma escavação arqueológica no norte do Vietnã trouxe à tona um detalhe que surpreendeu pesquisadores: crânios com dentes intencionalmente escurecidos, com aparência preta e brilhante. O achado ocorreu em um cemitério datado de cerca de 2 mil anos e sugere que o costume de “pintar” os dentes, ainda visto em partes do Sudeste Asiático como sinal de beleza e status, já era praticado bem antes do que se supunha.
Os restos humanos foram encontrados no sítio de Dong Xa, ligado a um assentamento ocupado durante a Idade do Ferro. Entre os esqueletos, havia recorrência do mesmo padrão nos dentes, o que reforça a hipótese de uma prática cultural e não de um efeito casual do solo ou do tempo.
Para entender como o escurecimento era produzido, os cientistas adotaram métodos não destrutivos, preservando os fragmentos. As análises indicaram concentrações relevantes de ferro e enxofre, combinação que aponta para o uso de compostos com sais de ferro.
A equipe também trabalha com a possibilidade de participação de materiais vegetais no processo, já que práticas tradicionais conhecidas combinam ingredientes botânicos ricos em taninos com substâncias à base de ferro, produzindo a coloração escura quando a mistura entra em contato com o ar.
O estudo foi conduzido pela arqueóloga Yue Zhang, da Universidade Nacional da Austrália, e publicado em janeiro na revista Archaeological and Anthropological Sciences.
A pesquisa ainda não fecha uma explicação definitiva para o sentido social do costume naquele período, mas levanta hipóteses. Uma delas é que o escurecimento funcionasse como marca de identidade ou etapa de um rito de passagem, em vez de intervenções mais drásticas, como a remoção intencional de dentes, registrada em diferentes sociedades antigas. Outra possibilidade é que a estética preta intensificasse o contraste com manchas provocadas pela mastigação de betel, hábito que pode tingir os dentes de tons avermelhados ou amarronzados.
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