O Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG) está atraindo os olhares do mais cobiçado polo de inovação do planeta: o Vale do Silício, na Califórnia. Essa conexão, que já se traduz em conversas e um convite particular, engrandece o nome de Goiás no centro do mapa global da tecnologia. 

Prova disso é a participação do professor Anderson da Silva Soares, diretor de relações institucionais do CEIA, no Brazil At Silicon Valley 2026. “Esse é um evento que você só participa por meio de convite”, revela Telma Woerle de Lima Soares, fundadora e diretora- executiva do centro, em entrevista ao Jornal Opção.

Mas afinal, o que fez o CEIA despertar tanto interesse lá fora? A resposta começa em 2019, quando o Governo de Goiás investiu R$ 12 milhões no Centro, com uma exigência de contrapartida: criar o curso de graduação em Inteligência Artificial. Lançado em 2020, o curso, contudo, foi apenas o ponto de partida.

O CEIA rapidamente ultrapassou a meta inicial e se tornou pioneiro nacional em excelência na área. Além disso, em abril do ano passado, o Goiás foi o primeiro lugar da América Latina a receber oito supercomputadores da Nvidia, líder mundial em tecnologia de IA. E a parceria não parou por aí: em março deste ano, chegaram mais 31 supercomputadores pessoais para equipar dois novos laboratórios de ensino da universidade.

Essas novas máquinas, chamadas NVIDIA DGX Spark, são consideradas os menores supercomputadores do mundo.

A compra foi viabilizada com recursos do governo estadual e do Programa de Desenvolvimento de Competências da EMBRAPII. Telma explica a funcionalidade desses supercomputadores e a importância deles. “Esses chips são uma estrutura de quase um mini computador, só que com um poder de processamento muito grande, voltado para a inteligência artificial.”

Sem perder tempo, o CEIA já colocou esses equipamentos para funcionar. “A gente adquiriu eles para entender como colocar modelos de IA dentro dessas arquiteturas, e validar também do ponto de vista de ensino, para os alunos poderem ter, dentro das disciplinas, o acesso a um computador de alto desempenho”, detalha a diretora.

Telma Woerle de Lima Soares, fundadora e diretora executiva do CEIA | Foto: CEIA-UFG

Enquanto isso, os estudantes já treinam modelos dentro da sala de aula, colocando em prática habilidades avançadas. O foco atual é aprender a construir modelos de IA menores e eficientes, que rodem nessas arquiteturas compactas. “Estamos vendo quanto é possível reduzir esse tipo de modelo para rodar em máquinas menores e mesmo assim ter um bom desempenho, isso é uma área de pesquisa”, afirma.

Além do convite para o evento no Vale do Silício, a relação com a gigante americana já tem mais de quatro anos. “O CEIA já é parceiro da NVIDIA, já faz parte desse ecossistema no programa AI Nations da NVIDIA”, revela Telma. E as novidades não param por aí. “A gente vai se reunir entre essa semana e a próxima para fazer esse planejamento de infraestrutura. Mas a gente vai ter várias novidades, inclusive em relação a esses desenvolvimentos de modelos próprios.”

Essa projeção internacional já rende frutos no intercâmbio de talentos. No ano passado, o CEIA enviou uma estudante de graduação para a Universidade da Flórida, em Gainesville, e outra para a Universidade de Flinders, na Austrália. “Esse ano, a gente deve fazer uma nova rodada desses intercâmbios de estudantes, focando mais na formação dos estudantes para participação e interação em outras universidades”, finaliza Telma.

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